Foto: Fábio Alexandre/O Estado

Requião com Brandão: a campanha continua como se nada tivesse acontecido.

A direção nacional do PSDB e a coordenação da campanha de Geraldo Alckmin à presidência da República deixaram ontem sem resposta os peemedebistas e tucanos paranaenses, que esperavam uma posição final sobre o destino da coligação entre os dois partidos no estado. Foi um dia nervoso, com a disseminação de inúmeras versões. Ora a aliança estava assegurada, ora continuava anulada.  

Por enquanto, está valendo a decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que determinou o fim da coligação. No início da noite, o governador Roberto Requião (PMDB) decidiu que o partido irá aguardar uma palavra definitiva dos tucanos nacionais, até hoje. Se a cúpula tucana não se pronunciar até à noite, o PMDB substitui o deputado Hermas Brandão (PSDB) na vaga de candidato a vice-governador e indica um nome ao Senado.

Requião, acompanhado de Brandão, continuou trabalhando ontem como se nada tivesse acontecido. Eles percorreram seis municípios à tarde, desconsiderando o desmonte da chapa provocado pelo TRE. Enquanto isso, as assessorias tucanas em Brasília informavam que o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o coordenador geral da campanha presidencial, senador Sérgio Guerra (PE), e o candidato à sucessão presidencial, Geraldo Alckmin, estavam reunidos em São Paulo, a portas fechadas para tratar do assunto. Isoladamente, os três procuraram alguns tucanos no Paraná para analisar a situação. Entre eles, o senador Alvaro Dias, o prefeito de Curitiba Beto Richa, e o deputado federal Gustavo Fruet.

Nestas conversas, Jereissati, autor da resolução que anulou o resultado da convenção que aprovou a aliança, procurou saber o que aconteceria se mantivesse a decisão de barrar a coligação. O principal temor é que o governador Roberto Requião (PMDB) se reaproxime do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Conforme apurou O Estado, esta ?ameaça? foi apresentada a Jereissati e a Alckmin por defensores da aliança, que aventaram até mesmo a hipótese de o PT retirar seu candidato ao governo, senador Flávio Arns, e apoiar Requião em troca de um palanque peemedebista para Lula no Paraná.

O cenário mais indesejado pelos tucanos no Paraná é que Requião se alie a Lula desde já ou que, mesmo sem apoiar o petista oficialmente, passe a atacar Alckmin, como represália pela rejeição nacional ao acordo com o PMDB. Para o deputado federal Gustavo Fruet, um dos consultados por Jereissati, o fato é que o PSDB paranaense ?está sangrando? em público e que esse processo deve ser estancado o mais rápido possível.

A cúpula tucana nacional já sabe que, a menos que ocorra alguma mudança de última hora, o governador do Paraná não irá se atrelar oficialmente à campanha de Alckmin. Mas em caso de sobrevivência da aliança, Requião deixará uma parcela significativa do PMDB trabalhar pelo tucano. Sob as ordens do governador, este mesmo grupo pode se voltar contra o tucano, se o desfecho for o veto definitivo à coligação estadual.

Entre as projeções de ontem, outras apontavam para um outro problema. Se a direção nacional ressuscitar a coligação, a ala contrária ao acordo com o PMDB pode mover novas ações e perpetuar o conflito jurídico.

O suspense sobre o destino da aliança tucano-peemedebista no Paraná está ligado à crise enfrentada pela candidatura de Alckmim em todo o País. O senador Sérgio Guerra fez ontem uma valiação ácida sobre o andamento da campanha de Alckmin durante uma reunião com uma dúzia de coordenadores dos estados do norte e centro-oeste. ?Em alguns lugares o nome de Alckmin só pode ser visto com binóculo?, lamentou.

Guerra contou que, em Pernambuco, pediu para regravar a propaganda que havia se limitado aos candidatos estaduais sem citar o nome de Alckmin. O coordenador reconheceu, porém, que o problema não é do candidato ao Planalto. ?Já virou cultura essa falta de vinculação da campanha estadual com a nacional. Mas temos que mudar isso e fazer a campanha chegar na ponta?, afirmou.