A posição do presidente do diretório municipal do PMDB, Doático Santos, ao defender o apoio do partido à possível candidatura do deputado estadual e líder do governo na Assembléia Legislativa, Ângelo Vanhoni (PT), à sucessão de Cássio Taniguchi (PFL) no ano que vem, provocou reações de protesto de seus correligionários.

O 1.º secretário da Assembléia Legislativa, deputado Nereu Moura, considerou despropositada a idéia, observando que ela só traz prejuizos ao partido: “Não tenho nada contra o deputado Ângelo Vanhoni, mas o PMDB tem uma história de luta que não se coaduna com a desistência da candidatura própria. Estamos lutando para que o partido lance candidato em todos os municípios. Abrir mão disso seria enfraquecer o PMDB. A posição de Doático, com tamanha antecedência, tem reflexos negativos sobre o PMDB em todo o Paraná”.

Nereu anunciou que a bancada iria se reunir ainda ontem para discutir a emissão de uma nota de repúdio à tese da aliança com o PT em Curitiba. O deputado Alexandre Curi também não gostou nada da proposta de Santos. Lembrou que nas eleições do ano passado o PMDB chegou ao governo graças ao mérito e à liderança do governador Roberto Requião, pois nem todos os prefeitos do partido arregaçaram efetivamente as mangas: “Se o PT fizer os prefeitos das quatro principais cidades do Estado, alguém acha que vai estar ao nosso lado nas eleições de 2006?”, indagou. E sugeriu que Doático, se deseja apoiar a candidatura de Vanhoni à prefeito no ano que vem, se filie ao PT, “que certamente o receberá de braços abertos”.

Outro deputado a repudiar a tese de Doático foi o ex-prefeito de Foz do Iguaçu Dobrandino Gustavo da Silva. Defensor entusiasta da candidatura própria em todos os municípios, Dobrandino acha fundamental que o PMDB eleja o maior número possível de prefeitos, pavimentando assim o caminho para as eleições estaduais de 2006.

Indignação

O líder do PMDB na Câmara Municipal, vereador Paulo Salamuni, ficou indignado com a sugestão de Doático Santos, presidente municipal do partido. “O que aconteceu foi lamentável, e acho que o Doático deveria renunciar à presidência”, opinou. Salamuni classificou as declarações como precipitadas, inoportunas e incoerentes.

“Falta disciplina a alguns dirigentes do partido, que não têm paciência de decidir as questões no colegiado. O que causa mais surpresa é que a própria Executiva decidiu, na segunda-feira, que iria discutir a questão na reunião do dia 24 de maio. Como pode o presidente, sem consultar ninguém, falar exatamente o contrário do que foi decidido?”, questionou o vereador.

Salamuni lembrou ainda que o PMDB tem vários nomes fortes para disputar a Prefeitura, nas eleições do ano que vem. “Temos o Maurício Requião, o Marcelo Almeida e o Gustavo Fruet. O Doático tinha que vestir a camisa da sua agremiação e não decidir por um outro partido”, disse.