A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu nesta sexta-feira (13) que a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) sofreu um incidente causado pela “queda da própria altura” e descartou a possibilidade de ela ter sido vítima de agressões. Em nota, a corporação informou que, “no caso, não se evidenciou quaisquer elementos que apontassem para a prática de violência doméstica ou atentado/agressão por parte de terceiros”.

Ainda de acordo com a polícia, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público e corre em segredo de Justiça. Por meio da assessoria de imprensa, Joice afirmou confiar no trabalho da PCDF, mas lembrou que, inicialmente, a hipótese de acidente foi “considerada menos provável pelos médicos mediante o número de traumas constatados por tomografias”.

O advogado contratado pela deputada para representá-la no caso, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, também divulgou uma nota na qual afirma que confia no trabalho técnico da polícia e diz que “o episódio serviu para discutir a segurança nas residências oficiais”.

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​As investigações começaram após Joice ter relatado um incidente na madrugada do dia 18 de julho, no qual teve cinco fraturas no rosto, uma na coluna e diversos hematomas pelo corpo.

À época, a deputada disse não saber exatamente como ocorreram os ferimentos. Ela contou ter despertado, pela manhã, no chão do corredor entre o quarto e o banheiro do apartamento funcional da Câmara dos Deputados, onde mora em Brasília.

Segundo Joice, ela se lembrava apenas que, antes de acordar com os ferimentos pelo corpo, estava assistindo a um seriado na companhia do marido. De acordo com ela, foi ele quem a socorreu.

“Nós tradicionalmente dormimos em quartos separados. Os quartos ficam um pouquinho longe um do outro, porque ele ronca, tadinho. Eu boto ele para fora”, contou à época.

A parlamentar relatou ainda que na noite anterior havia feito uso de um remédio a base de zolpidem, substância hipnótica usada para induzir o sono. O medicamento é ligado a relatos de apagão de memória e até acidentes.

Ela também negou que os ferimentos que apresentava no corpo fossem resultado de um episódio de violência doméstica e levantou a possibilidade de ter sido vítima de um atentado.

O marido de Joice chegou a realizar um exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) do Distrito Federal, mas os resultados não constataram lesões recentes nas mãos, dedos e punhos do neurocirurgião Daniel França.

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Joice também fez exames no hospital Sírio-Libanês, em Brasília, e os resultados, segundo ela, indicaram que poderia ter sido um atentado, e não uma queda ou acidente. Depois de prestar depoimento à PCDF, ela disse que acreditava que o responsável pelo suposta agressão que sofreu era alguém que a “odeia muito” e que quis dar um susto nela.

“Eu já sofri muitas ameaças para parar, ameaças verbais, de estupro. Talvez tenha sido um recado mais duro, tipo ‘somos capazes de ir além'”, afirmou a jornalistas.

Suspeitas

Em entrevistas, Joice informou que citou à polícia o nome de duas pessoas que ela considerava suspeitas. Um deles é parlamentar, outro não. “Um grande desafeto político que tem acesso muito fácil a esse bloco. Se alguém entrou aqui, não é coisa de amador.”

A parlamentar ainda contou que encontrou no apartamento um objeto que podia ter relação com o episódio e que não procurou a Polícia Federal por não confiar na instituição, levantando suspeitas sobre a interferência do governo Jair Bolsonaro na corporação.

Apoiadora do presidente nas eleições de 2018, ela se elegeu na onda do bolsonarismo, foi líder do governo no Congresso, mas rompeu com Bolsonaro e agora faz parte do grupo de desafetos do Planalto e de bolsonaristas.

O Depol (Departamento de Polícia Legislativa) foi acionado e investigou o caso. Segundo o órgão, as câmeras de segurança do prédio onde mora a deputada em Brasília não registraram a entrada de nenhuma pessoa estranha de quinta-feira (15) a terça-feira (20), segundo a perícia realizada no local.

As investigações também apontaram que a parlamentar não deixou o apartamento no período. A Câmara informou haver segurança nos locais onde se localizam os apartamentos funcionais dos parlamentares e os prédios possuem vigilância armada e porteiros, 24 horas por dia, sete dias por semana.

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Joice, porém, afirmou na nota divulgada nesta sexta-feira que reforçou a segurança em seu apartamento por conta da vulnerabilidade do imóvel. A parlamentar quer que o caso seja um ponto de partida para que os imóveis funcionais da Câmara, especialmente das mulheres, tenham mais segurança

“Os apartamentos não possuem câmeras em pontos fundamentais, como as escadas internas e vãos dos corredores que dão acesso às portas de entrada. Já há um encaminhamento feito pela Procuradoria da Mulher para a presidência da Câmara que pede a instalação de novos equipamentos para garantir a segurança”, disse.