A Operação Lava Jato chegou à concessão de rodovias no Paraná. Policiais cumpriram mandados na Casa Civil do Paraná, sede do governo do estado.

O diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), Nelson Leal, foi preso. O diretor da Econorte, Hélio Ogama, e o diretor da 3W Engenharia, Wellington Volpato, também foram detidos.

O gabinete de Carlos Felisberto Nasser, assessor da Casa Civil de Beto Richa, foi alvo de mandado de busca e apreensão. A força tarefa chegou a pedir a prisão dele, mas o pedido foi negado pelo juiz federal Sergio Moro. O investigado teria recebido pelo menos R $ 3 milhões do esquema.

A reportagem está entrando em contato com os investigados e aguarda retorno.

Agentes da Polícia Federal e servidores da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram seis mandados de prisão temporária e 55 mandados de busca e apreensão em quatro estados – Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo – nesta quinta-feira (22).

Segundo comunicado da PF, a investigação apura casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de rodovias federais no estado do Paraná que fazem parte do chamado Anel da Integração, hoje composto por 27 praças de cobrança em todo o estado. Policiais foram até a Casa Civil do governo do Paraná.

Além do crime de corrupção, a ação investiga crimes de fraude a licitações e lavagem de ativos. As ordens judiciais foram determinadas pela 13.ª Vara Federal de Curitiba.

Policiais cumpriram mandados também na Celepar, órgão do governo do Paraná, mais especificamente na área que monitora todas as operações do estado.

As investigações

O Anel é formado por uma malha de quase 2,5 mil quilômetros de rodovias em seis lotes interligados, concedidos em novembro de 1997, durante o governo de Jaime Lerner. Os vencedores das licitações foram seis grupos empresariais, que constituíram as concessionárias Econorte (Lote 1), Viapar (Lote 2), Ecocataratas (Lote 3), Caminhos do Paraná (Lote 4), CCR-Rodonorte (Lote 5) e Ecovia (Lote 6). Há alguns anos, o governo estadual estudou a renovação das concessões, mas as negociações não avançaram.

Foto: Aniele Nascimento.
Foto: Aniele Nascimento.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam o uso das estruturas de lavagem de dinheiro reveladas na operação Lava Jato para operacionalizar os recursos ilícitos pagos a agentes públicos, principalmente através dos operadores financeiros Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran, ambos investigados na operação. Uma das concessionárias, que ainda não teve o nome revelado, teria utilizado os serviços dos operadores para operacionalizar, ocultar e dissimular valores. Segundo a Receita Federal, a operação atinge empresas, empresários, executivos e agentes públicos.

Dentre os serviços prestados por estes operadores está a viabilização do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER) e também à Casa Civil do governo do Paraná.

Nos últimos quatro anos equipes de fiscalização da Receita Federal desenvolveram auditorias, rastreamentos bancários e diligências fiscais em algumas das empresas envolvidas e em terceiros ligados (pessoas jurídicas e pessoas físicas) para verificação da regularidade de apropriações de receitas e/ou de contabilizações de custos relacionados aos referidos contratos de concessão, firmados em 1997.

De acordo com a Receita, em algumas destas ações foram identificadas irregularidades que, além de embasar autuações tributárias, também serviram, em parte, para a instrução processual dessa fase da Lava Jato. Dentre as irregularidades estão superfaturamento de despesas com aquisições de bens e serviços; contratações de empresas inexistentes, sem capacidade operacional, algumas até com quadro societário composto por sócios laranjas; e outras ligadas a executivos das fiscalizadas. Segundo a Receita, essas irregularidades serviram como instrumento de dissimulação ou ocultação para circulação de valores indevidos e que, por óbvio, resultaram em redução indevida do lucro declarado de algumas dessas empresas investigadas.

No Paraná, estão sendo cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária. Em Santa Catarina, são três mandados de busca e apreensão, no Rio de Janeiro um mandado de busca e apreensão e em São Paulo seis mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária.

As diligências ocorrem em Londrina, Curitiba, Jataizinho, Paranavaí, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e São Paulo.

Confira os mandados detalhados

PARANÁ

Campina Grande do Sul/PR

01 mandado de busca e apreensão

São José dos Pinhais/PR

01 mandado de busca e apreensão

01 mandado de prisão temporária

Pinhais/PR

01 mandado de busca e apreensão

Curitiba/PR

18 mandados de busca e apreensão

02 mandados de prisão temporária

Toledo/PR

01 mandado de busca e apreensão

Matinhos/PR

01 mandado de busca e apreensão

Pontal do Paraná/PR

01 mandado de busca e apreensão

Ibiporã/PR

02 mandados de busca e apreensão

Jataizinho/PR

03 mandados de busca e apreensão

Londrina/PR

09 mandados de busca e apreensão

03 mandados de prisão temporária

Paranavaí/PR

02 mandados de busca e apreensão

SANTA CATARINA

Balneário Camboriú/SC

03 mandados de busca e apreensão

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro/RJ

01 mandado de busca e apreensão

SÃO PAULO

São Paulo/SP

06 mandados de busca e apreensão

01 mandado de prisão temporária