Dos 33 parlamentares da bancada paranaense no Congresso Nacional (30 deputados e três senadores), nove mudaram de legenda desde 2003, num total de 14 trocas partidárias no decorrer da legislatura. O percentual de troca de partidos dos parlamentares paranaenses entre 2003 e 2006 ficou em 27%, um pouco abaixo da média nacional, que esteve em 33%, conforme levantamento feito pelo site Congresso em Foco. Segundo o site, desde 2003, 193 deputados mudaram de partido, somando 285 trocas partidárias, assim como 15 senadores, com 21 trocas.

Na Câmara Federal, os paranaenses foram os que fizeram mais trocas entre os estados do Sul. Enquanto os deputados gaúchos fizeram apenas duas mudanças – se destacando como o estado com a bancada de maior fidelidade partidária – e os de Santa Catarina fizeram quatro, os oito deputados paranaenses mudaram de partido num total de 13 vezes. Porém, os deputados do Paraná ficaram bem longe do estado campeão em trocas partidárias, o Rio de Janeiro, que teve a bancada mais infiel, com 58 mudanças.

Embora a pesquisa feita pelo Congresso em Foco tenha indicado que somente 40% dos deputados que trocaram de partido conseguiram a reeleição, no Paraná a movimentação partidária não trouxe muitas dificuldades para que os parlamentares obtivessem um segundo mandato. Dos oito deputados, somente dois não conseguiram a reeleição. Desse modo, 75% dos deputados paranaenses que mudaram de legenda conseguiram a reeleição, percentual superior ao índice de renovação da nova Câmara, que ficou pouco abaixo de 50%.

Porém, curiosamente, os parlamentares que não conquistaram novo mandato foram aqueles com maior movimentação partidária: André Zacharow (PMDB) e Airton Roveda (PPS). Ambos políticos trocaram de partido três vezes na última legislatura. Zacharow é o segundo suplente do PMDB e Roveda, o primeiro suplente da coligação PPS-PFL. Roveda vai assumir a vaga de Cássio Taniguchi, já que o ex-prefeito aceitou ser secretário de Desenvolvimento Urbano e Planejamento, no Distrito Federal.

Mesmo assim, os dois políticos paranaenses estão longe de ser os que mais transitaram entre partidos na Câmara Federal. Com seis mudanças cada, os mais infiéis foram os deputados Zequinha Marinho (PSC-PA) e Alceste Almeida (PTB-RR). Em seguida, com cinco mudanças, estão João Mendes de Jesus (sem partido-RJ) e Enio Tatico (PTB-GO). E outros cinco deputados trocaram de legenda quatro vezes: Lúcia Braga (PMDB-PB), Carlos Willian (PTC-MG), Lino Rossi (PP-MT), Almir Moura (sem partido-RJ) e Pastor Amarildo (PSC-TO).

Senado

De acordo com a pesquisa do site, o único senador paranaense a trocar de partido foi Alvaro Dias, que saiu do PDT em 2003 e foi para o PSDB. Se na Câmara o movimento dos deputados foi em direção à base governista, no Senado teve sentido oposto, favorecendo a oposição.

Foi nas bancadas do Distrito Federal, Roraima e Tocantins que mais aconteceram infidelidades partidárias – dois dos três representantes não integram mais as legendas pelas quais foram eleitos. Os senadores que mais trocaram de partido nos últimos quatro anos foram: Leomar Quintanilha (PCdoB-TO), Almeida Lima (PMDB-SE), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AP), Juvêncio da Fonseca (PSDB-MS) e Papaléo Paes (PSDB-AP). Foram três trocas na legislatura de 2003 a 2007.

Maioria das trocas de partido favoreceu base aliada

Os deputados paranaenses seguiram a tendência observada pelo site Congresso em Foco na Câmara dos Deputados: grande parte das mudanças de legenda ocorrem no início da legislatura e favorecem a base aliada do Palácio do Planalto. De acordo com o levantamento do site, seis deputados paranaenses fizeram trocas de partido ainda em 2003. Nesse período, 107 parlamentares trocaram de partido. Mas alguns deputados trocaram de partido mais de uma vez, num total de 131 mudanças partidárias. Em 2004, foram 15 trocas de legenda e, em 2005, 91 deputados fizeram 132 movimentações partidárias.

Dos oito deputados paranaenses, sete movimentaram-se em direção a partidos que compunham a base do governo. No início de 2003, o deputado Chico da Princesa trocou o PSDB pelo PL, assim como seus colegas Odílio Balbinotti e Alex Canziani, que eram tucanos, e que foram respectivamente para o PMDB e para o PTB. No mesmo ano, o deputado Airton Roveda saiu do PTB e foi para o PMDB. E o deputado Takayama deixou o PTB pelo PSB, para, em agosto de 2003, se filiar também ao PMDB. Em junho de 2003, o deputado Giacobo saiu do PPS e foi ao PL. O deputado André Zacharow, depois de sair do PDT em 2004, passar pelo PP e PSB, filiou-se ao PMDB em 2005.

Conforme o levantamento do site, 60 deputados trocaram o PFL e o PSDB por legendas da base aliada nos últimos quatro anos, filiando-se a partidos como PL, PTB, PP, PSB e PMDB. O único deputado paranaense que se filiou a uma legenda de oposição ao governo foi Gustavo Fruet, que deixou o PMDB em outubro de 2004 e filiou-se ao PSDB em 2005.

Mudança

Uma mudança no regimento da Câmara pode, pela primeira vez, diminuir a infidelidade partidária, já que a distribuição de cargos na mesa d[iretora e nas comissões vai obedecer ao tamanho das bancadas eleitas em outubro. Assim, PMDB, PT, PSDB e PFL, que – nessa ordem, tiveram o maior número de deputados eleitos – terão preferência no preenchimento dessas vagas.