A partir da próxima quinta-feira (30), menos capivaras passarão pelo seu Facebook. Por causa do início do período eleitoral, as páginas da prefeitura de Curitiba na rede social e no  Twitter serão retiradas do ar às 18 horas, e só voltarão a ser atualizadas após a conclusão das eleições municipais – no dia 2 ou no dia 30 de outubro, dependendo da ocorrência ou não de segundo turno.

Já no Instagram, a prefeitura manterá o perfil no ar, mas não fará atualizações a partir de quinta. A administração municipal também deixará de veicular conteúdo noticioso em seu site institucional no período.

A lei 9.504/97, que estabelece as normas para as eleições, não veda explicitamente o uso das redes sociais pela prefeitura – até porque a norma é anterior à própria existência dessas mídias. A lei diz que os órgãos públicos não podem “autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais”, exceto em casos de “grave e urgente necessidade pública”.

Entretanto, resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2015, determinou a suspensão dessas publicações no mundo virtual durante o período eleitoral. Assim, a “prefs”, como as páginas da prefeitura ficaram conhecidas no ambiente virtual, serão retiradas do ar.

Segundo o coordenador de internet e mídias sociais da prefeitura, Álvaro Borba, cada página sairá de acordo com as especificidades da rede social em questão. O Facebook oferece uma opção de “congelar” a página – ela segue existindo, mas não pode ser visualizada pelos usuários. Com o fim do período eleitoral, a página volta a existir com os mesmos seguidores e com o histórico intacto.

Já o Twitter não oferece essa opção. Assim, as mensagens já publicadas pela prefeitura estão sendo apagadas, e não serão republicadas após as eleições – são mais de 22,5 mil. O Instagram, por outro lado, deve ficar visível para os usuários. Neste caso, a prefeitura apenas publica fotos da cidade mandadas por usuários – e, no entendimento da administração, manter isso visível não fere a resolução do TSE. A página apenas deixará de ser atualizada até outubro.

Atendimento ao usuário

Além do uso da página para veiculação de campanhas e mensagens institucionais, as redes sociais da prefeitura também servem como um canal de comunicação para a população. Segundo Borba, são cerca de 350 mensagens por dia entre o Twitter e o Facebook, e cerca de dois terços delas são reclamações e pedidos ao poder público.

Neste caso, os usuários serão orientados a utilizar o serviço 156 ou o próprio site da prefeitura. Segundo Borba, nos próximos dias os usuários serão alertados dessas mudanças nas políticas de redes sociais da prefeitura através de mensagens nas próprias redes sociais.

Além da “prefs”, o site da prefeitura também deixará de publicar conteúdos noticiosos. Serão publicadas no site somente o boletim de trânsito e os avisos de utilidade pública. Também serão retiradas as propagandas da prefeitura no mobiliário urbano.

Sucesso e críticas

Pelo bem e pelo mal, a “prefs” se tornou um símbolo da atual gestão da prefeitura de Curitiba. Atualmente, 846 mil pessoas, muitas delas de fora de Curitiba, seguem o perfil institucional da administração municipal – muitas atraídas mais pela linguagem despojada e pelas referências à cultura pop do que pelo interesse na administração em si.

Por um lado, a “prefs” pode ser bastante elogiada por ter criado um espaço de comunica&,ccedil;ão muito mais eficiente e alinhado com as tendências das redes sociais do que qualquer outro órgão público do Brasil até então. Isso não serviu apenas como uma propaganda da cidade e da própria prefeitura, mas também como um espaço de comunicação direta e informal entre a cidade e seus moradores – que virou referência em todo o país.

Entretanto, os excessos de “gracinhas” e a visão exageradamente colorida da realidade da cidade são alvos constantes de críticas dos moradores da cidade. Um grupo de moradores chegou a montar uma página chamada “Prefrescura de Curitiba” para ironizar a página e criticar o que consideram falhas e omissões do poder público municipal.

Além disso, algumas postagens terminaram em saia justa para a prefeitura. Isso ocorreu, por exemplo, quando a página publicou mensagem de apoio ao casamento homoafetivo, mas retirou do ar horas depois após pressão de vereadores evangélicos – gerando fortes críticas por parte de ativistas e simpatizantes da causa LGBT.