Apesar de atravessar um momento de fragilidade por conta do escândalo do mensalão, que envolve alguns dos seus integrantes, o PP abriu negociações sobre as alianças eleitorais do próximo ano. E na condição de convidado. A proposta de uma composição para a sucessão de 2006 veio oficialmente do PDT, que está iniciando as costuras para formar um bloco de partidos destinado a dar suporte ao seu projeto de disputar o governo.

O presidente estadual do partido, Dilceu Sperafico, recebeu a proposta do presidente do diretório estadual do PDT, senador Osmar Dias, pré-candidato ao governo e que mantém um pré-compromisso com o PSDB. Como os tucanos, ou pelo menos algumas de suas lideranças, demonstram certa hesitação em fazer um acordo com o PP, o pedetista preferiu desfazer o mal-estar, para não pôr a perder a possibilidade de um acordo para 2006.

Sperafico afirmou que a conversa com o PDT pode avançar até mesmo para uma composição na majoritária. O PP deve postular uma vaga na chapa majoritária. De acordo com o dirigente do partido, a posição pode ser a do candidato a vice-governador. Entre os nomes cogitados estão o ex-prefeito de Toledo Derli Donin e a deputada estadual Cida Borgheti, afirmou o presidente do PP.

Não foi o primeiro convite para 2006 recebido pelo PP. O PMDB também já procurou pelo partido. "O governador Requião já nos convidou. É uma possibilidade que não descartamos", afirmou Sperafico. Ele ressaltou que o partido "não tem compromisso fixo com ninguém" e que o acordo será feito por afinidade política para 2006.

O presidente do partido chamou de "especulações" as previsões de que a bancada do PP está prestes a ser esvaziada com a aproximação do prazo final – 30 de setembro – para as mudanças partidárias dos candidatos às eleições do próximo ano. Sperafico afirmou que mesmo as saídas consideradas certas, como a de Geraldo Cartário e César Seleme, que estariam negociando o ingresso no PMDB, não vão se concretizar.

A razão, segundo Sperafico, é que a chapa proporcional do PP oferece as melhores perspectivas eleitorais para 2006. "É só comparar com o PSDB. Quem for para lá, só vai ajudar a eleger os outros", afirmou o presidente do PP, explicando que a lista de candidatos do PSDB está repleta de deputados, o que reduz as perspectivas de vitória de quem vem de fora.