Representante do Partido Progressista no governo Beto Richa (PSDB), o secretário estadual de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, disse que o partido tende a apoiar a reeleição de Luciano Ducci (PSB) nas eleições municipais do ano que vem, mantendo a aliança que fez com Beto no ano passado, mas vai cobrar o mesmo apoio dos partidos aliados nas cidades em que o PP tem base mais forte, como Londrina e Maringá, por exemplo. Barros disse que o partido também vai pleitear a vaga de vice de Ducci, embora a prerrogativa de indicar o vice já esteja com os tucanos.

“A política é um fato local. Assim como o PP é aliado do governo federal, (tem o Ministério das Cidades), mas aqui no Estado não acompanhou, isso pode se repetir regionalmente: estamos no governo, fazemos parte da aliança, mas em algumas cidades isso pode não se repetir”, explicou Barros, dizendo ser inevitável o confronto com partidos aliados em alguns municípios. “Mas, na maioria das cidades, vamos manter a aliança sim. Mas para isso é preciso que o PSDB, que é o partido dominante, por ter o governador, não se imponha sobre os outros partidos, tenha a postura de cooperar com os outros partidos, senão a aliança será prejudicada”, comentou, para depois ser mais direto sobre onde quer a reciprocidade dos aliados.

“Em Curitiba, participamos do governo Ducci (com a secretaria de Assuntos Mestropolitanos) e, internamente, há um ambiente partidário favorável ao apoio à reeleição do Ducci, mas vamos indicar um possível candidato a vice (seu cunhado, Juliano Borgheti, seria o nome) e pedir apoio recíproco nas cidades onde o PP é mais forte, como Londrina, Maringá, Francisco Beltrão e outras 40 em que temos o atual prefeito”, disse. “As alianças serão feitas num conjunto de ação e reação. Quem ganhou a eleição do ano passado foi uma aliança, liderada pelo PSDB, mas com apoio de vários partidos. E todos os partidos querem crescer com essa conquista”, concluiu.

A cobrança do PP mostra que Beto Richa terá trabalho para manter o grupo que o reelegeu unido nas principais cidades do Estado. O governador parece ter planos diferentes dos de Barros para Londrina e Maringá.

Se, na cidade que já administrou e está sob o comando de seu irmão, Silvio Barros (PP), o secretário de Indústria e Comércio pretende lançar o atual vice-prefeito, Carlos Roberto Pupin, que até trocou o PDT pelo PP, o governo trabalha com o nome do secretário estadual de Relações com a Comunidade, Wilson Quinteiro (PSB).

Em Londrina, a mesma dificuldade: o PP quer Marcelo Belinati como candidato do grupo, enquanto tucanos insistem que o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly (PSDB) deveria disputar novamente.

Em Francisco Beltrão, cidade do presidente estadual do PP, deputado federal Nelson Meurer, o atual prefeito, Wilmar Reichembach, é do PSDB e pré-candidato à reeleição, mas o ex-prefeito Vilmar Cordasso (PP) consegue um desempenho melhor que o tucano quando o substitui nas pesquisas de intenção de votos. Os dois já descartaram se enfrentar no ano que vem.