O presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, declarou, ontem, que a grande aliança de oposição ao governo estadual, firmada em 2006, e ampliada no ano passado, não definiu, na época do apoio à reeleição de Beto Richa (PSDB) à Prefeitura de Curitiba, o nome do candidato ao governo do Estado.

Em entrevista à Rádio Band News, na manhã de ontem, Bueno afirmou que o único compromisso firmado era de manter a aliança para a eleição estadual. “O que tínhamos eram três nomes para quatro vagas em 2010, que foram levantados numa reunião, numa conversa tranquila, natural: o de Osmar (Dias PDT), do Beto e o meu. Eram esses três nomes para quatro vagas majoritárias em 2010: governador, vice, e as duas para o Senado”, afirmou.

Depois, questionado pela reportagem de O Estado se, então, Beto Richa já era apontado como possível candidato ao governo antes mesmo de sua reeleição, Bueno negou. “Não, ninguém era cotado para ser candidato a nada. O que se discutia, naquele momento, era que aqueles eram os nomes mais fortes que os partidos da aliança poderiam apresentar em 2010, só isso”, disse, para depois reafirmar que não se assumiu nenhum compromisso de apoio a Osmar Dias. “Pelo menos em reunião com minha presença nunca se firmou tal compromisso”, garantiu. Apesar de PSDB e PDT tomarem rumos diferentes e estarem cada vez mais afastados, o presidente do PPS disse ainda acreditar em uma candidatura única agregando os 11 partidos que apoiaram Beto no ano passado. “Mas tudo depende do que se formatar nacionalmente. Depois que soubermos quem são os candidatos e quais as alianças nacionais é que descobriremos qual nossa melhor opção no estado”, disse. “Quero problematizar a discussão, para facilitar a ação, depois. Não é tão simples essa decisão. Não é simples o Osmar se aliar ao PT, um eleitorado diferente do dele; não é simples o Beto renunciar à Prefeitura três anos antes do fim do mandato; não é simples deixar a prefeitura para o PSB se Ciro Gomes (PSB) for o principal adversário de José Serra (PSDB) na corrida presidencial. No momento certo, temos que colocar tudo isso na mesa e tomar a decisão”, comentou.

Acompanhando o senador Osmar Dias em sua corrida pelo interior o deputado estadual do PPS, Marcelo Rangel, reconhece não haver “nenhum ritual ou documento que indicasse que o candidato seria o Osmar”, mas alega que o partido apóia o senador desde o segundo turno das eleições de 2006 e desde lá participa da construção do plano de governo do pedetista. “O PPS é parte de um projeto iniciado em 2006 e que tem o PSDB envolvido também. No ano passado, esse compromisso ficou muito evidente, de maneira tácita. O compromisso sempre existiu e essa ruptura surpreende e entristece”, disse. “A divisão só beneficia nossos inimigos, prejudica o projeto nacional, prejudica o Beto e o Osmar. O projeto de 2006 foi elaborado e está sendo trabalhado com o Osmar. Se houver mesmo a ruptura, vai-se começar algo novo do zero e o PPS não pode ir somente a reboque”, defendeu.