O diretório estadual do PPS emitiu 379 notificações de infidelidade partidária nas eleições do ano passado a presidentes municipais, prefeitos e vereadores das cidades em que o partido não alcançou a votação esperada nas disputas para deputado federal e estadual.

Os dirigentes partidários e ocupantes de cargos eletivos notificados têm 15 dias para apresentar defesa, que será analisada pelo conselho de ética do partido, que poderá decidir pela destituição das comissões ou diretórios municipais e, até, pela expulsão de filiados, que correm o risco de perder o mandato pela regra da fidelidade partidária.

Segundo o secretário-geral Rubico Camargo, o prazo estipulado é improrrogável e todos os notificados deverão apresentar suas justificativas de forma simplificada e “com a agilidade necessária para nos reestruturarmos em todo o Estado com bases mais consistentes, do ponto de vista da fidelidade partidária, para as eleições municipais de 2012”.

Foram enviadas 141 notificações aos presidentes de diretórios municipais para justificarem porque o PPS fez menos de 30% de votos para deputado em 2010, comparando com a soma dos votos de vereadores, em 2008; 28 notificações aos coordenadores regionais do partido para emitirem relatório sobre os fatos descritos nos municípios de sua jurisdição; 48 notificações aos presidentes dos diretórios para explicarem a diferença de 50%, ou mais, na votação entre o deputado estadual e federal no município.

“Se houve essa diferença, é porque o partido trabalhou para candidato de outra legenda”, comentou o presidente estadual do PPS, deputado federal eleito Rubens Bueno.

O Conselho de Ética do PPS também enviou 162 notificações aos mandatários municipais (prefeito, vice-prefeito e ou vereador), dos municípios onde houve esta disparidade.

“Se temos quatro vereadores numa cidade que, juntos, em 2008, fizeram mil votos e nossos candidatos a deputado somaram 200 votos nesta mesma cidade, os quatro serão notificados. Com as defesas, saberemos quem trabalhou e quem não trabalhou”, explicou Bueno para justificar o porque de ainda não citar nomes de possíveis infiéis nesta etapa do processo. “O que temos agora são números”, acrescentou.

Bueno disse que dos 329 municípios paranaenses onde o PPS está presente identificou problemas em 123. “A orientação é pela destituição, para reorganizarmos o partido para as eleições municipais do ano que vem”, disse.