O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, saiu hoje em defesa de um de seus principais padrinhos políticos, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, a quem o socialista sucedeu na administração municipal. Acusado de fazer consultoria para empresas beneficiadas com contratos na prefeitura da capital mineira, Pimentel foi um dos principais fiadores da candidatura de Lacerda, que negou qualquer irregularidade nos contratos.

O prefeito disse que ainda não conversou com o ministro sobre o caso, mas ressaltou a “presunção da inocência” e a “boa intenção das pessoas” e alertou que “meias verdades são mais perigosas que meias mentiras”. Lacerda afirmou ainda que as licitações vencidas pelo consórcio formado com participação da Convap para a realização de obras para a Copa do Mundo de 2014 são “acima de qualquer suspeita”. “Essas licitações do PAC da Copa têm fiscalização da Caixa Econômica Federal, dos Tribunais de Contas do Estado e da União. São transparentes”, afirmou.

A Convap foi uma das clientes de Pimentel entre 2009 e 2011, período em que deixou a Prefeitura de Belo Horizonte e assumiu o Ministério. Atualmente, a construtora integra um consórcio vencedor de licitação de R$ 95 milhões promovida pelo município. Segundo a Prefeitura, a Convap tem participação de 1,25% no consórcio. “Não quero fazer juízo de valor. Apenas posso dizer que a contratação da Convap não tem absolutamente nada a ver com contrato de consultoria. Está se fazendo ilação de possível contrato de consultoria com licitação. As obras da Copa vêm sendo publicisadas há muito tempo. Não precisaria de grande esforço para participar, principalmente empresas com tradição no mercado”, declarou.

Hoje, o jornal O Globo mostrou que, além da Convap, a empresa de Pimentel, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda, também recebeu R$ 400 mil da QA Consulting. Um dos donos da empresa é Gustavo Prado, filho de Otílio Prado, sócio de Pimentel na P-21. Um dos pagamentos, de R$ 200 mil, ocorreu após a empresa de Gustavo receber R$ 230 mil da HAP Engenharia.

A HAP e seu dono, o empresário Roberto Gianetti Nelson de Sena, são acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) de Minas, junto com Pimentel, outras empresas e funcionários da Prefeitura, de, entre outras coisas, desvio de verbas do município para financiamento de campanha e de empréstimos obtidos pela HAP, além de superfaturamento de obras. A ação ainda tramita na 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.