Nem bem o ano começou e muitos prefeitos de municípios paranaenses já estão tendo que resolver um enorme problema: pagar as dívidas da administração anterior. E para colocar a casa em ordem, o trabalho deverá ser duro pois, além das dívidas, há equipamentos sucateados e servidores com salários atrasados em muitas cidades. Algumas prefeituras, como as de Tijucas do Sul e Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba, e Matinhos, no litoral do Estado, estão nessa situação.

O prefeito de Campo Magro, José Pase (PMN), admite a possibilidade de decretar moratória nos próximos dias por conta dessas dívidas, que já chegam a cerca de R$ 5 milhões. Segundo ele, entre os diversos problemas encontrados na prefeitura, os telefones estão cortados por falta de pagamento, a empresa responsável pela coleta de lixo está há nove meses sem receber e os salários dos servidores estão atrasados há um mês.

Sem falar nas férias destes funcionários que, segundo o prefeito, também não foram pagas em dezembro. “Pela forma como encontramos a prefeitura, concluo que não existia a palavra pagar por aqui”, criticou Pase. Ele revelou ainda que os empréstimos consignados que eram feitos pelos funcionários não foram devolvidos ao banco pela administração anterior. “Estamos nos virando como podemos”, afirmou.

Na prefeitura de Tijucas do Sul a situação é semelhante. O prefeito José Altair Moreira (PP) estima que as dívidas cheguem a R$ 12 milhões. Só com fornecedores chegam a quase R$ 2 milhões. Para se comunicar por lá está bastante difícil, pois segundo ele, os telefones estão cortados há dois meses. Aliás, os atendimentos à população nem estão sendo feitos mais no prédio da prefeitura, mas sim, na Câmara de Vereadores. O prefeito disse que agora a prioridade é tentar negociar com os fornecedores.

A administração de Matinhos, no litoral do estado, também está tendo dificuldades para dar conta de tantos problemas. Segundo o diretor administrativo do local, Guido Ramos, situação pior foi encontrada nos setores de transporte, obras públicas e no departamento pessoal. “Os carros da prefeitura estavam sem motor, as máquinas de obras estragadas e, para completar, 40% dos servidores ganharam férias em janeiro. Está muito difícil de trabalhar”, contou. Segundo ele, o atendimento à população está sendo feito, mas de maneira precária. “As pessoas vêm reclamar de tudo aqui na prefeitura, e com razão. Mas não tem como a gente atender bem agora. Na medida do possível vamos adquirir novos equipamentos e chamar os servidores de férias para trabalhar”, disse Ramos.

Em Guaratuba, no litoral, o prédio da prefeitura está comprometido estruturalmente. A reportagem de O Estado telefonou diversas vezes para o gabinete da prefeita Evani Justus (PSDB), no celular e na residência, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.