A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quarta-feira, 8, telefonemas do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Os contatos foram feitos, portanto, às vésperas da Cúpula das Américas, programada para o próximo fim de semana, no Panamá. Há pouco o Planalto divulgou nota oficial sobre os contatos, destacando que na conversa com Maduro foram tratados temas sobre situação política venezuelana e com Biden foram discutidas questões sobre a visita que Dilma fará aos EUA.

Segundo apurou a reportagem, entretanto, Maduro pediu o apoio de Dilma para o enfrentamento com os Estados Unidos na reunião do final de semana, na Cúpula das Américas. O presidente venezuelano tenta obter junto aos presidentes que são considerados aliados uma declaração que condene as sanções impostas por Washington a sete autoridades do país acusadas de violação de direitos humanos e corrupção.

A presidente conversou primeiro com Maduro. Ele telefonou para o Planalto no início da tarde, quando ela estava reunida com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Mais tarde, Dilma conversou com Biden. Estados Unidos e Venezuela estão vivendo uma queda de braço, desde que os norte-americanos declararam Caracas como uma “ameaça” à segurança nacional dos EUA.

Dilma não revelou aos prefeitos com os quais estava reunida o que disse a Maduro. Limitou-se a comentar, no entanto, que nestas questões, ela integra “a turma do deixa disso”, em uma sinalização de que o Brasil quer ajudar a diminuir as tensões entre os dois países e garantir que a volta de Cuba à Cúpula das Américas seja o principal tema do encontro.

Na nota divulgada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), disse que na conversa com Maduro “foram tratados temas relacionados à situação política venezuelana e à Cúpula das Américas, no próximo fim de semana no Panamá”. Acrescentou, ainda, que a presidente Dilma “reiterou a disposição do Brasil de continuar solidariamente desenvolvendo iniciativas que permitam fortalecer o diálogo entre o governo e as oposições venezuelanas nos marcos do Estado Democrático de Direito daquele país”.

Ainda conforme o Planalto, Dilma ouviu do presidente Maduro a disposição dele de “promover uma redução das tensões com os Estados Unidos em base ao respeito mútuo à soberania nacional dos dois países”. Dilma, então, “saudou a iniciativa de Maduro e colocou-se à disposição para contribuir nessa direção”.

Na conversa de Dilma com Joe Biden, segundo a nota, foram discutidas questões relacionadas à próxima visita que a presidente fará aos Estados Unidos, prevista para setembro. A nota diz também que, no telefonema, “foi confirmado o encontro dela com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Panamá, quando serão detalhados outros aspectos da visita”. A visita de Dilma a Washington, até então, não havia sido confirmada pelo governo dos EUA.

A nota do Planalto não informa, no entanto, se Dilma e Biden trataram da situação da Venezuela e se Dilma intermediou a questão. A disposição inicial do governo brasileiro era de não tomar iniciativa de tratar desta disputa entre os dois países.

Cuba

O Brasil, assim como a maioria dos países da região, gostaria de manter a crise entre Venezuela e Estados Unidos em segundo plano na reunião do final de semana e focar a atenção da cúpula na presença de Raúl Castro entre os 35 líderes do continente que se reunirão no Panamá. Esta será a primeira participação de Cuba em uma Cúpula das Américas e a primeira interação oficial do país com todo o continente no âmbito de uma instituição regional desde sua suspensão da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1962.

Mesmo com as sanções norte-americanas atingindo apenas sete indivíduos venezuelanos, a decisão deu a Maduro uma bandeira contra Washington. Para impor as penalidades, o presidente Barack Obama cumpriu o protocolo legal de declarar Caracas uma “ameaça” à segurança nacional do país. Maduro usou a expressão para denunciar uma suposta intenção dos Estados Unidos de invadir a Venezuela e derrubar seu governo. No Panamá, Maduro pretende entregar a Obama um abaixo-assinado com milhões de adesões pedindo a revogação das sanções impostas no dia 9 de março.