O procurador Carlos Fernando de Lima, da força-tarefa da operação Lava Jato, disse nesta quinta-feira, 2, em coletiva de imprensa que a nova fase da investigação não tem vinculação com políticos ou partidos. Ninguém “com prerrogativa de foro (privilegiado)”, esclareceu.

A 15ª fase, batizada de Operação Mônaco, deflagrada nesta quinta-feira, foi exclusivamente ligada a Jorge Zelada – ex-diretor Internacional da Petrobras, ligado ao PMDB, que ocupou o cargo de 2008 a 2012, como sucessor de Nestor Cerveró.

Segundo os procuradores, foram cumpridos quatro mandados de busca. Foram alvos dois endereços residenciais e um empresarial de Zelada, no Rio, e uma casa da ex-mulher dele em Niterói. Ainda de acordo com os procuradores, foram recolhidos documentos, mídias e dinheiro – no valor que ainda não está confirmado mas que estaria entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.

Com a prisão de Zelada, a Lava Jato fecha o cerco às diretorias da Petrobras que concentravam as ações de corrupção. “Depois de um ano e meio de investigações, creio que não temos indicativos de maiores desvios em outras diretorias ou com outros diretores”, disse Lima, sem contudo descartar que possa haver surpresas no futuro envolvendo outros diretores.

Os procuradores dizem ter evidências de desvios na diretoria internacional, que foi comandada por Zelada e por Cerveró, em contratos ligados a refinarias, gasodutos e contratos de aluguel de sondas. Lima afirmou ser “muito importante” a investigação da diretoria, pois sozinha ela tinha estimativa de girar desvios em montantes de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por dia.

O nome da operação se deve à apreensão de valores em Mônaco. Zelada teve 11,6 milhões de euros bloqueados em duas contas atribuídas a ele no banco Julius Baer, no Principado de Mônaco. Rastreamento da força-tarefa indica também que Zelada transferiu pelo menos US$ 1 milhão para uma conta na China, em duas remessas, uma em outubro e outra em dezembro de 2014. Entre uma e outra remessa, a operação Lava Jato deflagrou sua sétima fase, contra o cartel das empreiteiras.

Antes, entre julho e agosto de 2014 – quatro meses após a deflagração da fase ostensiva da investigação sobre corrupção e desvios na estatal petrolífera -, Zelada realizou outras duas transferências no montante de 7,55 milhões de euros da Suíça para o Principado de Mônaco.

Lima destacou que há uma facilidade maior de bloquear valores em Mônaco por haver acordo de cooperação com o país e também com a Suíça. No caso da China, explicou, é mais difícil até ter a confirmação do valor total. Segundo o procurador, a força-tarefa busca um acordo de cooperação com o país asiático. A iniciativa é ainda incipiente, mas promissora, na avaliação do procurador.

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que não há dúvidas de que a fortuna de Zelada tem origem em propinas. “Ele recebia vencimentos significativos na Petrobras, da ordem de R$ 100 mil mensais, mas sabemos que o valor (depositado no exterior) é originário de corrupção. Não se trata de valor de salário com certeza.”

O juiz Moro alertou que “esses ativos ainda não foram recuperados ou sequestrados”. “A conduta do investigado colocou em risco as chances de recuperação integral dos ativos criminosos. Não se deve excluir a possibilidade de existirem outras contas, pois, há indícios de que Jorge Luiz Zelada tem outras contas na Suíça (como a Stone Peach) e é provável que seu sócio no Brasil esteja ocultando ativos para ele (como na Atlas Asset).”