Na primeira denúncia contra o senador Renan Calheiros na Operação Lava Jato, o procurador-geral da República Rodrigo Janot requereu ao Supremo Tribunal Federal a condenação do presidente do Congresso à perda do cargo.

Na semana passada, Renan venceu uma queda de braço sem precedentes com o Supremo Tribunal Federal, a quem desafiou ao se recusar a deixar a cadeira número 1 do Senado. O ministro Marco Aurélio havia decretado na segunda-feira, 5, o imediato afastamento do peemedebista, mas ele driblou o oficial de Justiça do Supremo. Dois dias depois, por seis votos a três, a Corte máxima manteve Renan no cargo.

Nesta segunda-feira, 12, o procurador-geral denunciou Renan e ainda o deputado Aníbal Gomes (PMDB/CE) – antigo aliado do senador – e o empresário Paulo Twiaschor, suposto repassador de propina de R$ 800 mil ao presidente do Congresso.

Além das penas previstas pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o procurador requereu a condenação de Renan e de Aníbal por ‘danos morais causados por suas condutas, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, fixando-se um valor mínimo
equivalente ao montante cobrado a título de propina no caso’.

Janot cobra R$ 800 mil a título de danos materiais e mais R$ 800 mil para ‘os danos transindividuais’ – ele aponta que os ‘prejuízos decorrentes da corrupção são difusos, lesões à ordem econômica, à administração da justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira, sendo dificilmente quantificados’.

O procurador requereu, por fim, a decretação da perda da função pública ‘para os condenados detentores de cargo, emprego público ou mandato eletivo, principalmente por terem agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade’.

Outro lado

A Assessoria da Serveng enviou um comunicado sobre a denúncia:

“Apesar de não ter tido ainda acesso ao conteúdo da denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República, a Serveng Civilsan recebe com surpresa e indignação as notícias dando conta que um de seus funcionários foi também denunciado. Ao longo de toda a investigação a empresa esteve à disposição das autoridades tendo inclusive prestado detalhado depoimento. A alegação de que a Serveng Civilsan fez doações eleitorais com o fim de “participar de licitações mais vultosas na Petrobras” não faz qualquer sentido e sua inveracidade será provada na primeira oportunidade que nossa defesa tiver para se manifestar nos autos.”

A assessoria do senador Renan Calheiros negou as acusações:

“O senador Renan Calheiros jamais autorizou ou consentiu que o deputado Aníbal Gomes ou qualquer outra pessoa falasse em seu nome em qualquer circunstância.

O senador reitera que suas contas eleitorais já foram aprovadas e está tranquilo para esclarecer esse e outros pontos da investigação.