O Senado deu na semana passada o primeiro passo para retirar de uma de suas alas o nome de Filinto Muller, ex-senador que foi chefe de polícia durante a ditadura Vargas, responsável por torturas praticadas no período. A Comissão de Educação do Senado aprovou projeto que extingue o nome da ala, mas deixa em aberta a indicação de quem vai futuramente substituí-lo. Autor do projeto, o PT sugeriu o nome de Luiz Carlos Prestes, mas por resistência de alguns senadores, o texto acabou aprovado sem a indicação do futuro nome do espaço.

Defensora do nome de Prestes para a ala, a senadora Ana Rita (PT-ES) disse que o Senado deveria aprovar o projeto especialmente quando o Brasil “se empenha em esclarecer os fatos obscuros que mancham a história da democracia no país”. Para garantir a aprovação do projeto, o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) apresentou voto em separado retirando o nome de Muller, mas sem indicar Prestes como seu substituto. Para Arruda, a retirada do nome de Muller já é um avanço no momento em que o país discute os crimes cometidos durante a ditadura militar.

“A proposição aqui analisada está em consonância com esta quadra da história brasileira, em que se instituiu uma Comissão Nacional da Verdade destinada a examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos”, disse o senador. Arruda afirmou que a biografia de Muller “está marcada por sua atuação como chefe da polícia do Distrito Federal, no período de 1933 a 1942, quando comandou a prática da tortura a presos políticos”.

O nome de Muller ganhou repercussão também com a prisão de Olga Benário, judia e militante comunista, mulher de Prestes -que estava grávida quando foi deportada para a Alemanha, onde acabou executada em um campo de concentração. Com a aprovação do projeto pela comissão, ele seguiu para a análise da Mesa Diretora do Senado -que vai dar a palavra final sobre a mudança no nome da ala.