Foto: Aliocha Maurício
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Beto Richa e Gustavo Freut foram prestigiar a filiação de Luciano Ducci.

Com o ingresso de novos 1.549 filiados de Curitiba e Região Metropolitana ontem pela manhã, o PSDB começa a reforçar sua estrutura no principal colégio eleitoral do Estado para as eleições do próximo ano. A filiação do vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, quatro secretários municipais e um grupo de profissionais liberais e líderes comunitários de outros municípios da Região Metropolitana, que deixaram o PSB, reuniu na Sociedade Morgenau várias das lideranças do partido que defendem um aliança com o PDT na sucessão estadual de 2006. Da cúpula estadual do partido, faltaram apenas o senador Alvaro Dias e o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, que estavam viajando.

A presença do senador Osmar Dias no ato de filiação coletiva reforçou a tendência de apoio à coligação com o PDT em detrimento do lançamento de um candidato próprio do partido, que é defendida pelo grupo do senador Alvaro Dias. Para o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Valdir Rossoni, o partido já tem a chapa ideal: Osmar Dias, candidato ao governo, e o deputado federal Gustavo Fruet, candidato a vice-governador.

Para Rossoni, o espírito de conciliação que prevaleceu na convenção estadual em que o senador Álvaro Dias concordou em participar de uma chapa única pode ser invocado na sucessão estadual. ?Quem diria que nós teríamos uma chapa única na convenção? Então, acho que tudo pode ser solucionado sem disputa?, afirmou Rossoni, citando que a chapa majoritária também inclui a vaga para o Senado.

Já o prefeito Beto Richa acha que ainda não é hora de definir a chapa e sugere que a escolha do nome do candidato ao governo seja a última das decisões a serem tomadas pelo PSDB e seus aliados. ?O senador Osmar Dias é um forte candidato, mas temos outros nomes e todos têm o direito de esperar esta indicação. O escolhido será aquele que nos representar melhor?, declarou.

Sem estresse

Osmar foi à festa de filiações portando o tradicional botton de um tucano, o símbolo do PSDB. Mas deixou claro que o tucano na lapela não é o prenúncio de uma futura filiação ao PSDB. ?O PDT apresenta o meu nome e o PSDB apresenta o seu candidato. A decisão virá de uma conversa entre os dois partidos. Sem estresse?, afirmou o senador, que disse considerar inoportuna a discussão sobre quem detém a preferência da indicação, se ele ou o irmão. ?Esta é uma conversa partidária e não de família. Não estou impondo minha candidatura e defendo a aliança porque os partidos têm projetos semelhantes?, comentou.

Citado como possível candidato a vice-governador, o deputado Gustavo Fruet foi prudente. Disse que ?é muito bom ser lembrado?, mas que, por enquanto, pretende concorrer à reeleição para a Câmara Federal. ?Acho que tudo agora é muito imprevisível?, afirmou Gustavo, referindo-se a instabilidade política atual. Gustavo observou que as definições do PSDB dependem também do cenário nacional e não apenas local. ?Temos que deixar correr um pouco?, comentou.

Comissão investigará ligações

Sub-relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos Correios, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) disse ontem em Curitiba que a comissão poderá encontrar um dos índicios mais fortes da existência do circuito financeiro entre o publicitário Marcos Valério, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário geral do partido Silvio Pereira. Gustavo afirmou que a comissão passa o final de semana analisando os dados da quebra de sigilo telefônico do publicitário, que resultou em cerca de um milhão de ligações telefônicas.

Conforme Gustavo, as análises preliminares dos telefonemas mostram que havia uma comunicação direta entre Silvio Pereira e Delúbio Soares e várias estatais. ?No caso do Silvio Pereira, o maior número de ligações é para os Correios. Na CPMI, ele disse que não tinha contato na empresa e que não conhecia ninguém. Os telefonemas mostram que não era bem assim, a menos que ele ligasse para lá para comprar selos?, ironizou o sub-relator. (EC)