O PSDB entrega na próxima sexta-feira (dia 14) uma proposta escrita de coligação com o PFL do Paraná, na qual reafirmará o convite para que os pefelistas indiquem o candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa.

O ritual completo da apresentação da proposta de aliança foi uma exigência feita na reunião de ontem de manhã da Executiva Estadual do PFL pelo pré-candidato ao governo, deputado federal Rafael Greca, que se sustenta nas regras estabelecidas pelo Estatuto do partido. Até então, o pré-acordo entre os dois partidos tinha sido firmado apenas verbalmente pelas duas cúpulas. “Se não tem proposta oficial, escrita, é blefe”, argumentou Greca.

O deputado vai registrar sua chapa para disputar a convenção amanhã à tarde, na sede do diretório estadual. Ele também se comprometeu a sugerir uma proposta de aliança com outros partidos. O deputado não revelou quais são as siglas que poderiam se aliar ao PFL. Entretanto, Greca está conversando com o PPS, que se dispõe a negociar depois da convenção, segundo informou seu secretário-geral, Rubico Camargo. Além do PPS, Greca também encontraria ontem à tarde a direção do PPB, partido que já está integrado à aliança, devendo indicar um candidato ao Senado. Até o final da tarde de ontem, o deputado ainda não havia decidido se iria apresentar uma proposta completa de chapa, com nomes para todos os cargos da eleição majoritária.

Na próxima sexta-feira, a executiva estadual do PFL volta a se reunir para preparar as propostas de coligação que serão apresentadas na convenção do sábado (dia 15). Lideranças dos tucanos e do PFL tiveram uma longa reunião ontem à tarde para acertar o fechamento da coligação. O PSDB faz convenção amanhã, às 18h.

Discórdia

Na reunião de ontem da executiva pefelista, a vice-governadora, Emilia Belinati, registrou sua pré-candidatura ao Senado. A postulação da vice foi apresentada por escrito e teve a assinatura da executiva estadual do partido. A pré-candidatura de Emilia é mais um fator de estresse na negociação da aliança, além da pré-candidatura de Greca ao governo. O PPB condiciona sua participação na aliança à indicação de um candidato único ao Senado e mais o fechamento da aliança na disputa proporcional.

Na proposta que encaminharão ao PFL, os tucanos saem pela tangente na queda de braço entre PFL e PPB pela vaga ao Senado. O documento, segundo anteciparam lideranças do PSDB, oferece diretamente a vaga de vice governador ao PFL. Mas, no caso do Senado, a redação é genérica. O texto estabelece que as duas vagas estariam disponíveis aos partidos aliados, sem citar qual deles e sem mencionar se serão um ou dois candidatos.

Greca diz não a Lerner

Ao saber que Rafael Greca pretende registrar oficialmente amanhã sua pré-candidatura ao governo para disputar a convenção do próximo sábado, o governador Jaime Lerner resolveu ter a conversa reservada com o deputado. O encontro aconteceu no início da noite, em local não divulgado. Lerner, que vinha adiando o encontro desde a semana passada, não teve êxito na tentativa de convencer o deputado a trocar a candidatura ao governo por uma das vagas ao Senado.

Greca recusou a oferta e disse que prosseguirá com seu projeto, registrando a pré-candidatura ao Palácio Iguaçu amanhã: “Minha candidatura pertence aos meus companheiros de partido”, respondeu ao governador. Apesar disso, o secretário-geral do partido, deputado Élio Rusch, ainda acredita num entendimento com Greca. “O que nós queremos é que o partido vá unido par a convenção. Sinceramente, acho que isso é possível”, afirmou. A oferta de uma vaga ao Senado, de qualquer forma, esbarra no PPB, que exige exclusividade na disputa. Uma eventual indicação para ocupar a vaga de vice-governador encontraria resistência de vários tucanos, entre eles o próprio pré-candidato ao governo, Beto Richa, que tem tido sua capacidade eleitoral questionada por Greca.

Dilema

A escolha do candidato a vice pelo PFL tem se revelado mais complicada do que parecia a princípio. Além de Greca, o ex-secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, outro dos nomes cotados pelos pefelistas, também não encontra unanimidade entre os tucanos. A avaliação é que Ficinski não acrescenta muito do ponto de vista geográfico à chapa. Tanto Ficinski quanto Beto têm seus redutos eleitorais em Curitiba e o PSDB prefere um vice que amplie o espaço eleitoral do tucano.

O deputado federal Werner Wanderer seria o predileto dos tucanos, já que possui base eleitoral do Oeste do Estado, região onde Beto Richa não é conhecido. Mas Wanderer já teria antecipado que está mais disposto a tentar uma reeleição para a Câmara Federal. O terceiro nome da lista é o do deputado estadual Élio Rusch, que também tem base eleitoral no Oeste do Estado e que tem como principal cabo eleitoral no PSDB o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão. (EC)