O PSDB, como cartada derradeira, ontem retomou negociações para uma aliança à sucessão estadual com a ala do PMDB que sempre defendeu o apoio à candidatura de Beto Richa ao governo.

Ao longo do dia, antes da definição final sobre a postulação de Osmar Dias (PDT), os tucanos estavam dispostos a oferecer ao PMDB a vaga de vice-governador na chapa e também destinar espaço para o ex-governador Roberto Requião se candidatar ao Senado.

O PSDB também estaria pronto a oferecer o que os deputados estaduais peemedebistas mais querem: uma coligação na disputa proporcional. Os termos de um possível acordo foram discutidos anteontem à noite entre Beto e alguns peemedebistas, entre eles, os deputados Luiz Claudio Romanelli e Alexandre Curi.

Os dois deputados são os porta-vozes do grupo que vê numa coligação com os tucanos o caminho mais fácil para o PMDB obter um resultado eleitoral favorável na eleição à Assembleia Legislativa.

Eles têm medo de o PMDB ter que levar sozinho a candidatura do governador Orlando Pessuti à reeleição. A tese ganhou força depois que o PT sinalizou, na convenção de domingo passado, que se Osmar não fosse candidato ao governo lançaria candidato próprio.

A coligação com o PMDB não interessa aos petistas, que temem extinguir sua bancada na Assembleia Legislativa, ajudando a eleger apenas os peemedebistas que costumam ter um número de votos superior ao PT na disputa proporcional.

Sem adversários

O acordo entre peemedebistas e tucanos seria, na cabeça de alguns, a salvação da lavoura para os primeiros, mas também traria vantagens para o PSDB. Num cenário em que o senador Osmar Dias estivesse fora da disputa, Pessuti voltaria a sofrer pressões para desistir da candidatura ao governo, caso não tivesse o PT ao seu lado.

Se o governador se render à bancada, o PSDB eliminaria o único adversário com pouco mais de 10% de intenções de votos, conforme as pesquisas eleitorais divulgadas há quase dois meses.

O pré-candidato do PT, Nedson Micheleti, ainda não teve seu desempenho aferido nas pesquisas de intenção de votos. Porém, os petistas sabem que o ex-prefeito de Londrina não seria competitivo diante do tucano.

Pessuti permanece sob pressão da bancada estadual. Com a confirmação da candidatura de Osmar ao governo, os parlamentares vão exigir que o governador apresente uma solução de coligação na eleição proporcional.

Na noite de sábado, quando Pessuti chegou a convocar uma entrevista coletiva para anunciar sua candidatura ao governo, foi obrigado a recuar, intimidado pelos deputados que não aceitaram a decisão, sem que antes ele tivesse costurado uma aliança alternativa para elegê-los em outubro.