Enquanto milhares de pessoas vão à Avenida Paulista pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff, um grupo de aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar de um ato político na porta do Instituto Lula, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, no início da tarde de hoje. O ex-presidente não deve comparecer ao evento, segundo a assessoria do instituto.

O ato tem três objetivos. O primeiro deles é proteger o local onde ocorreu um ataque a bomba em 30 de julho. O segundo é prestar solidariedade ao ex-presidente, fragilizado pelas denúncias de desvios na Petrobrás durante seu governo. Já o terceiro é defender Dilma contra a ameaça de impeachment.

Na sexta-feira os policiais federais responsáveis pela Operação Lava Jato incluíram em um relatório encaminhado ao juiz Sérgio Moro uma conversa entre Lula e o Alexandrino Alencar, da empreiteira Odebrecht, preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. No telefonema, realizado dia 15 de junho, Lula se diz preocupado com “assuntos do BNDES”.

Embora a conversa não tenha elementos que incriminem ou lancem suspeitas sobre o ex-presidente, conforme o próprio Moro assinalou em um despacho, a simples menção de Lula deixou seus aliados em alerta. Eles temem que os investigadores tentem “arrastar Lula para o centro das denúncias com o objetivo de enfraquecê-lo politicamente”, segundo um dirigente petista.

Preocupação

A menção a Lula na Lava Jato causa mais preocupação do que os protestos em si. Monitoramento das redes sociais feito pelo PT aponta a tendência de que as manifestações de hoje sejam menores do que as do dia 12 de abril que, por sua vez, atraíram menos gente do que as do dia 15 de março.

“Alguns setores que foram às ruas talvez tivessem uma ideia imediatista sobre as manifestações. Como não houve efeito imediato isso deve desestimular muita gente. Acho difícil que este protesto seja igual aos outros”, disse o deputado estadual José Américo Dias, secretário de Comunicação do PT.

Outro motivo de preocupação no entorno de Lula são as declarações feitas pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, na quinta-feira, durante encontro de Dilma com movimentos sociais. Na ocasião Vagner falou em “usar armas” e se “entrincheirar” contra as ameaças de impeachment.

Embora o sindicalista tenha dito, depois, que as palavras tinham sentido figurado, o discursos foi considerado “desastrado” por dirigentes do PT. Eles temem que as declarações de Freitas sejam exploradas pela oposição e incentivem novas ações violentas como a bomba lançada em julho. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)