Arquivo / O Estado
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Joaquim dos Santos Filho:
"Sem comentários".

A aliança entre o PT e o PTB de Curitiba nas eleições de 2002 foi abordada ontem no depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB) à CPI do Mensalão da Câmara dos Deputados. Jefferson disse que os termos iniciais do acordo eleitoral previam a nomeação do ex-deputado Joaquim dos Santos Filho, filiado ao PFL, para uma das vagas de direção da Itaipu Binacional. Segundo Jefferson, o PT ‘roeu a corda’ por não ter cumprido a promessa de nomear um petebista para a direção da Itaipu.

Joaquim dos Santos Filho não é filiado ao PTB, mas conforme as versões de políticos locais, o ex-deputado se filiaria ao partido de Roberto Jefferson assim que fosse acertada sua nomeação para a Usina de Itaipu. No ano passado, Joaquim dos Santos Filho atuou como um dos coordenadores da campanha do ex-vereador Osmar Bertoldi (PFL) à Prefeitura.

O diretor geral da Itaipu, Jorge Samek, estava em Brasília ontem, participando de uma reunião do Conselho Superior do Sistema Elétrico Brasileiro e teria também uma reunião agendada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas por meio da assessoria de imprensa, a empresa informou que o ex-presidente nacional do PTB está embaralhando os fatos. Conforme a assessoria de Itaipu, no início deste ano, a direção nacional do PTB apresentou o nome do ex-deputado Joaquim dos Santos Filho para uma diretoria não específica da empresa, mas a sugestão foi rejeitada. Além de não haver nenhuma diretoria vaga e de a empresa não ter nenhuma necessidade de fazer qualquer remanejamento interno, Santos Filho também não cumpria os requisitos técnicos para o cargo.

Ainda conforme a assessoria, não houve nenhuma pressão por parte do governo federal para acomodar o PTB, que não teve e não tem nenhum cargo na empresa. A assessoria observou ainda que as declarações de Jefferson comprovam que a direção da Itaipu não se deixa influenciar por pressões políticas e que mantém a tradição de ter na diretoria e no Conselho de Administração apenas quadros especializados.

Instabilidade

A relação entre o PTB e o PT na campanha eleitoral em Curitiba foi marcada por um comportamento instável dos petebistas. Apenas uma parcela do partido participou da campanha majoritária. O deputado estadual Angelo Vanhoni disse que é "público e notório que o PTB não marchou unido" no apoio à sua candidatura. Segundo Vanhoni, a maioria do PTB fez campanha para o seu adversário. Ele disse ainda que o compromisso do PT com o PTB foi ceder vagas para os petebistas na chapa proporcional (Câmara Municipal) e em caso de vitória, abrir espaço para que eles participassem do governo. "Agora, se existiu compromisso de apoio fechado nacionalmente com candidatos de outros municípios, nós desconhecemos", disse Vanhoni.

O ex-deputado Joaquim dos Santos Filho não quer comentar o assunto. A reportagem de O Estado o procurou para ouvir a sua versão, mas ele não se encontrava em seu escritório em Curitiba. Entretanto, interlocutores do deputado informaram que ele comentou que nunca pediu para ser indicado e que soube por terceiros que cogitavam seu nome.