A jornalista Roseli Abrão, veterana na cobertura política, aprofundou a investigação para descobrir de quem partiu a indicação do advogado Roberto Bertholdo para o cargo de conselheiro da Binacional Itaipu. O resultado da pesquisa está na página de Roseli no www.horahnews.com.br do último dia 22. “Quem é o pai da criança?”, título da coluna, traz a sugestão de um político paranaense de que será preciso um exame de DNA para se saber quem é, de fato, o autor da indicação do advogado de Tony Garcia para a Itaipu. Vamos ao texto de Roseli Abrão: “Afinal, quem foi que indicou o advogado e lobista paranaense Roberto Bertholdo para integrar o conselho de administração da Binacional Itaipu? Esta pergunta tem sido repetida à exaustão até porque as versões na imprensa e nos meios políticos têm sido as mais variadas. Pelo que se especula, são muitos os “padrinhos” de Bertholdo. Os deputados federais Gustavo Fruet e José Borba, do PMDB; o PTB de José Carlos Martinez; o PP de Dilceu Sperafico; e até mesmo José Carlos Becker, filho do todo-poderoso ministro José Dirceu. Alguns “padrinhos” já se apressaram em desmentir a autoria da indicação. O deputado Gustavo Fruet foi um deles. Outro foi o deputado Dilceu Sperafico, que assegurou que o Partido Progressista não tem nada a ver com a história. A confusão, segundo ele, pode ter surgido pelo fato de Bertholdo ter integrado a chapa de Tony Garcia, que foi o candidato do partido ao Senado. A indicação do conselheiro, segundo a versão de alguns veículos de comunicação e de alguns políticos, desagradou não só o presidente da Itaipu, o petista Jorge Samek, mas principalmente o governador Roberto Requião. O currrículo do conselheiro não teria agradado . Teria sido ligado a PC Farias, o tesoureiro de Collor e seria lobista de empreiteiras. Mas uma coisa é certa. Como diz a colunista Margarita Sansone, sua indicação foi comemorada pelos grandes empreiteiros. O deputado Gustavo Fruet garante que não tem nada a ver com a indicação de Roberto Bertholdo. Quem vincula seu nome só pode estar agindo com “extrema maldade”, acusa ele, que assegura que nunca fez nenhuma indicação, nem no governo Fernando Henrique Cardoso nem de Luiz Inácio Lula da Silva. Até porque “o seguro morreu de velho”, qualquer comunicação com o governo federal Fruet o faz por escrito e protocolado. Seria Borba? Há quem diga que o “padrinho” de Bertholdo foi o deputado federal José Borba. A ligação dos dois seria o ex-banqueiro e ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira. Bertholdo advogou a favor de José Eduardo na CPI do Proer, realizada na Câmara Federal, onde atua José Borba, que foi funcionário do Bamerindus e é ligado até hoje ao ex-senador. Se o governo Lula aceitou a sua indicação seria porque precisa garantir votos no Congresso Nacional. Seria Becker? Quem suspeita que o “padrinho” de Bertholdo foi o filho do ministro José Dirceu também faz maldade, dizendo que o advogado teria garantido “total apoio” à eleição do jovem José Carlos à prefeitura da cidade paranaense de Cruzeiro do Oeste, nas eleições do ano que vem. Não foi possível conversar com o deputado José Borba, que está internado no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Ele sofreu um derrame, mas passa bem. Segunda sua assessoria, Borba terá alta nesta quarta-feira, devendo retomar suas funções na Câmara Federal na próxima semana. Preferindo não se identificar, um político paranaense sugere um exame de DNA para se saber com certeza quem é o pai da criança. Quem conhece o funcionamento da Itaipu garante que se está “exagerando” nas atribuições de seus conselheiros (seis brasileiros e seis paraguaios). Não têm caneta cheia nem poder de fogo. Não são capazes de traficar influência. O conselheiro participa de reuniões, a cada dois ou três meses, e apenas referenda as decisões da direção da binacional. Mas uma coisa é certa. Seu salário, que é mensal, gira em torno de oito mil reais.”