Em meio à prestação de contas do seu mandato na abertura do ano legislativo, ontem à tarde no plenário da Assembleia Legislativa, o governador Roberto Requião (PMDB) criticou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), indicado pelo PMDB. No discurso, quando abordou os efeitos da crise econômica mundial, Requião disse que Meirelles é um representante do capital internacional.

“Quem era Meirelles antes de ser presidente do Banco Central? A imprensa silencia sobre isso. Mas ele era presidente da Associação dos Bancos Internacionais, era presidente do Banco de Boston e foi um dos principais mentores do Cavallo (Domingo Cavallo, ex-ministro da Economia na Argentina no governo de Carlos Menem e de Fernando de la Rúa)”, disse Requião, apontando o ex-ministro como o responsável pela falência financeira da Argentina.

O governador disse que não é possível ser otimista em relação à economia com a manutenção da atual política econômica do governo que privilegia o capital financeiro.

“Como então ser otimista se a especulação vai continuar sobrepondo à produção? Como ser otimista se o Banco Central do Brasil, o Brasil por conseqüência, insiste em manter a nossa economia atrelada à especulação?”, questionou.

Pré-candidato à presidência da República pelo PMDB, o governador do Paraná afirmou que é ilegal a convenção convocada para o próximo sábado, 6, em Brasília, quando o grupo que articula o apoio do partido a Rousseff pretende reeleger o deputado federal Michel Temer (SP) para que continue conduzindo as negociações para alianças.

“Isso não tem validade do ponto de vista legal. A chapa tem que ser registrada oito dias antes da convenção. Que eu saiba o Temer não tem chapa completa”, afirmou.

Na rápida entrevista que concedeu antes da solenidade, Requião comentou seu entrevero com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que deu declarações à imprensa culpando o comportamento de Requião pelos atrasos nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

“Soube pelo Paulo Bernardo que o Paraná foi discriminado nas verbas. Mas eu sempre achei que nós tivéssemos um ministro paranaense, um tal de Paulo Bernardo…”, provocou o governador, que já desafiou o ministro pelo twitter a debater com ele.

Bernardo declarou que Requião briga com o governo federal e essa postura prejudica as negociações. “O Paraná foi discriminado porque não se dobra diante de ministros. Sou governador e não moleque”, disse o governador que, na escola de governo pela manhã, havia declarado que Bernardo quer o “o governador ajoelhado” para conseguir favores do governo federal.

No twitter, no final da tarde, o governador escreveu: “Quero saber se o PT concorda com Paulo Bernardo. Afinal trabalhei até agora com três excelentes secretários do PT. Inclusive planejamento”.

A resposta foi dada pela ex-presidente estadual do PT, Gleisi Hoffmann, mulher do ministro, em forma de pergunta. “Governador trabalhamos juntos até agora. Continuaremos com a ministra Dilma e a defesa do governo Lula?”, provocou Gleisi.