Foto: Arquivo/O Estado

Requião: "O candidato do PDT à Presidência da República é Cristóvão Buarque".

O governador Roberto Requião (PMDB) criticou a proposta de aliança informal entre PSDB e PDT, defendida por uma ala dos tucanos. Na reunião de ontem da Escola de Governo, o governador classificou como "crime eleitoral" o apoio do senador tucano Alvaro Dias à candidatura do senador Osmar Dias (PDT), já que os dois partidos têm candidatos à Presidência da República.

"O candidato do PSDB ao Senado apóia o candidato do PDT ao governo do Estado. Crime eleitoral. O candidato do PDT à Presidência da República é Cristóvão Buarque e o candidato do PSDB não poderia apoiá-lo. Salada geral, confusão absoluta", criticou o governador, aludindo à regra da verticalização das coligações que proíbem que partidos com candidatos à sucessão presidencial se aliem nos estados.

Ao se dispor a fazer um relato de como está o andamento do processo político estadual aos participantes da reunião, Requião denunciou ainda que a barganha está correndo solta nas negociações em torno das composições partidárias e assegurou que o PMDB não vai entrar nesta lógica. "Quero falar para meus companheiros de trabalho como vai a questão política. Ontem, nós recusamos um pedido de três quilos de alcatra. Para bom entendedor, meia palavra basta. Três quilos de alcatra, unicórnio e chifre dourado em troca de um apoio. Nós não vamos comprar apoio de ninguém. Para comprar apoio só se pode fazer com dinheiro roubado. Nós não vamos aplicar a política tradicional brasileira do mensalão e dos acertos", declarou o governador.

Na seqüência, Requião citou que outras propostas de "apoio" foram feitas ao PMDB. "Existem outros pedidos também de apoio. São pesos menores da carne nobre do unicórnio dourado. R$1milhão e 600", ironizou.

Outra lógica

Ainda na expectativa de um acordo com os tucanos, o governador comentou que as conversas entre o PSDB e o PMDB seguem outra lógica e que se evoluírem para uma aliança, será dentro de um processo de discussão político-partidária. "O PMDB não tem candidato a presidente da República e eu, particularmente, não estou tomando partido nesta questão agora. Mas existe a possibilidade de o PSDB vir sem alcatra, numa decisão de convencionais, com a gente. Nós daríamos a vice-governadoria para o PSDB", declarou.

Se o PSDB não aprovar a aliança em torno de sua reeleição na convenção de amanhã, o PMDB vai participar da campanha eleitoral de "chapa pura" , afirmou o governador. "Se for o caso, nós sairemos de chapa pura. Mas existe uma perspectiva muito clara e limpa do PSDB ir junto com o PMDB", disse.

Requião considera impugnável o apoio dos tucanos a Osmar. Mas disse que essa nova articulação não tem impacto no PMDB. "Não muda nada. O PMDB é só alegria", brincou.

Decisão

A executiva estadual do PMDB se reúne na próxima sexta-feira, 30, para fechar a chapa às eleições de outubro. Na convenção realizada no sábado passado, o PMDB deixou as indicações em aberto à espera da conclusão das conversas com os tucanos. Ontem, o vice-presidente estadual do PMDB, deputado Nereu Moura, afirmou que o PMDB não tem medo de ter que disputar uma eleição sem alianças. "Na eleição passada, nenhum desses partidos, o PDT e PSDB, estiveram conosco. Nossa leitura é que a candidatura do Osmar Dias só prejudica os nossos adversários. A oposição é que se fragmenta", disse.