Em meio às tensões provocadas pelas ocupações de terra no Estado, o governador Roberto Requião (PMDB) resolveu privilegiar sua interlocução junto aos ruralistas ligados à Faep (Federação da Agricultura do Paraná), Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná) e Sociedade Rural de Londrina.

Requião iria se reunir ontem à noite em Maringá com várias lideranças do setor na casa do presidente da Faep, Ágide Meneguette, para neutralizar um segmento dos ruralistas que prega o uso da violência contra o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) nas reintegrações de posse e desocupações de propriedades rurais.

A reunião foi uma iniciativa de Meneguette, que convidou o governador para o encontro. De acordo com a assessoria de Requião, o governador vai estreitar o diálogo com o grupo para fazer um contraponto à radicalização dos conflitos no campo defendida por entidades como o Sinapro (Sindicato Nacional dos Produtores Rurais), que já acusou o governador de estar protegendo o MST.

De acordo com o Palácio Iguaçu, Requião tem a intenção de negociar com as lideranças que considera mais “sensatas” e que teriam condições de compreender sua política fundiária. Os representantes da Faep e Ocepar teriam demonstrado, em conversas anteriores com o governador, que não dissociam as ocupações da crise econômico-social do País, evitando criminalizar as ações do MST. Requião, segundo sua assessoria, tinha a expectativa de que o encontro de ontem pudesse convencer os ruralistas de que as ocupações são a expressão direta da crise econômica do País e o resultado do desemprego e da miséria.

Durante a semana, um acordo entre a liderança do governo na Assembléia Legislativa, mediado pelo presidente da Casa, deputado Hermas Brandão (PSDB), conseguiu suspender o processo de criação da CPI sobre a questão agrária no Estado proposta pelo líder do PFL, Plauto Miró Guimarães. O argumento foi que uma CPI que visava sobretudo investigar a ação do MST iria agravar os conflitos no interior do Estado.

Guimarães, que já havia conseguido dez assinaturas dos deputados de apoio à CPI, garante que não desistiu da proposta. E que deu ao líder do governo, deputado Ângelo Vanhoni (PT), vinte dias para que ele consiga buscar recursos junto ao governo federal para investimentos em assentamentos de sem-terra.