O governador Roberto Requião disse ontem, após o retorno de sua viagem ao Texas, onde foi conhecer o modelo energético aplicado nos Estados Unidos, que o sistema norte-americano tem mais erros que acertos. “O sistema dos Estados Unidos é uma bagunça completa”, afirmou.

“Eles transformaram a energia numa mercadoria que pode ser vendida no mercado futuro, onde quem perde é o consumidor residencial, que não pode fazer propostas ou acompanhar os preços numa espécie de pregão que define os valores de 15 em 15 minutos.”

Segundo Requião, de todos os Estados norte-americanos, apenas 16 entraram no sistema de privatização. “O restante ficou fora dessa folia”, destacou. “No Texas, por exemplo, onde o sistema está enormemente privatizado, ainda há empresas públicas que ficam mais realçadas porque vendem energia 20% abaixo do preço das empresas privadas.”

A maior parte delas entrou no sistema de concorrências, lembrou o governador. “Mas, como são publicas, elas consideram a energia um serviço a ser prestado e não um mercadoria a ser jogada numa espécie de cassino monumental. É como se fosse uma mesa de câmbio num grande banco ou numa bolsa de valores.”

O resultado – reforça – é um caos. “O próprio Texas está congestionado e os americanos estão desesperados com esse modelo de privatização do governo Bush. A ameaça de apagão é constante. A Califórnia já teve um apagão alguns anos atrás. Agora, todo eixo entre Nova York e Canadá passa pelo mesmo problema.”

“O exemplo deles é o exemplo a não ser seguido”, reafirmou Requião. “A tecnologia deles é fantástica. Eles têm usina termelétricas extraordinariamente eficientes, usinas combinadas com gás e com vapor, usinas de carvão bem montadas”, ponderou.