Foto: João de Noronha/O Estado

Hermas Brandão: "Não podemos pensar pequeno".

A proposta de uma aliança com o PMDB do governador Roberto Requião na sucessão estadual deste ano provocou um estresse interno entre os tucanos. A idéia está opondo o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Valdir Rossoni, e o vice-presidente do partido, o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão. Rossoni é contra um acordo com o PMDB que, segundo ele, teria Brandão como único beneficiário. Já o presidente da Assembléia Legislativa rebateu que está pensando "grande" e que, na hierarquia dos projetos, a sucessão presidencial vem antes. Para Brandão, uma coligação com o PMDB ajuda o candidato tucano na sucessão presidencial.

"Esse acordo só é bom para o Hermas Brandão. Ele será o candidato a vice-governador ou o candidato ao Senado. E o PSDB, como é que fica? É bom para o PSDB? Nós temos que olhar o partido como um todo. Não é só o Hermas que manda no PSDB. Quem vai decidir é o partido", disparou Rossoni ontem à tarde. Segundo o dirigente tucano, montar um palanque único com Requião no Paraná significa levar o PSDB ao extermínio. "Será um desastre. O Requião só é aliado na época da eleição. Depois, destrói. Veja o que ele fez no PT. Dividiu o partido em dois grupos", afirmou.

Para Brandão, Rossoni tem todo o direito de escolher sua posição, mas não pode desfocar o debate daquilo que é o mais importante. "Os deputados estão preocupados com a eleição estadual. Nós, com a eleição nacional. Não podemos pensar pequeno. É mais importante eleger o presidente da República ou oito deputados aqui?", ponderou o presidente da Assembléia Legislativa.

Instância superior

Rossoni disse que tem o respaldo de todo o partido contra a aliança com o PMDB e adiantou que o impasse será levado ao presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati. O presidente estadual iria começar uma série de reuniões internas – a primeira seria ontem à noite com vereadores do partido em Curitiba – antes de levar o caso ao presidente nacional do partido. "Eu já conversei com a maioria do partido e eles imploram que a gente não pegue esse caminho. A nossa base não aceita esse acordo. Ninguém esquece que o Requião vive nos chamando de neoliberais. Ou vamos esquecer o que ele falou do Beto (Beto Richa, prefeito de Curitiba) na eleição para prefeito?", questionou.

Embora o prefeito de Curitiba não faça declarações sobre o assunto – ele sempre responde com evasivas quando questionado sobre sua opinião a respeito da aproximação com o PMDB – Rossoni disse que Beto irá seguir a maioria do partido a respeito desse tema. "Eles (Beto e Requião) continuam adversários e o Beto vai caminhar com o partido. É coerência partidária", afirmou. Sobre os freqüentes encontros entre Beto e o governador Roberto Requião, Rossoni afirmou que fazem parte das atribuições dos dois como administradores públicos.

O presidente do partido disse que Beto irá liderar uma comitiva de prefeitos tucanos, que irá a Brasília conversar com Jereissati sobre a posição do PSDB do Paraná. Entretanto, a assessoria de Beto Richa informou que ele irá a Brasília, com outros prefeitos de capitais filiados ao PSDB, mas para tratar da sucessão presidencial. De acordo com a assessoria, Beto e os demais prefeitos vão reivindicar participação na decisão sobre a candidatura tucana à sucessão do presidente Lula, que está indefinida entre o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.