Está tudo certo. Ou quase certo. O ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, será o secretário especial da chefia do Escritório de Representação do Paraná em Brasília. Apesar de a Casa Civil do governo do Estado não confirmar a informação, a nomeação do irmão do governador já estaria até assinada por Roberto Requião (PMDB) aguardando para ser publicada. Resta saber se Eduardo aceitará o novo cargo.

Afastado da Appa por conta da súmula vinculante antinepotismo, publicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto do ano passado, Eduardo foi nomeado secretário de Transportes, dividindo as atribuições da pasta com o ex-secretário, Rogério Tizzot, que passou a ser secretário para Assuntos Rodoviários. No entanto, o novo secretário jamais assumiu a pasta, descontente com a divisão de poderes com Tizzot.

Em Brasília, Eduardo irá substituir André Zacharow, que assumiu uma cadeira do PMDB na Câmara Federal, após a morte de Max Rosenmann, em outubro do ano passado. Desde então, a pasta em Brasília ficou vaga, a espera de uma definição do governador e de Eduardo.

Com status de Secretaria Especial, o Escritório do Paraná em Brasília pode ser ocupado pelo irmão do governador sem ferir a súmula do STF devido à brecha no texto da súmula que consente com a nomeação de parentes para cargos de natureza política, os chamados cargos de confiança do chefe do Executivo.

Com diversos parentes em sua equipe, entre eles dois irmãos e a esposa, Roberto Requião teve de se adequar às regras estabelecidas pelo STF em agosto sobre a contratação de parentes. Após a súmula do Supremo, o governador exonerou sobrinhos e criou novas secretarias para abrigar Eduardo e sua esposa, Maristela Requião. Maristela, que presidia o Museu Oscar Niemeyer, foi nomeada secretária especial, continuando no comando das atividades do museu.

Já Eduardo foi nomeado secretário de Transportes, acumulando a superintendência da Appa, enquanto o então secretário, Tizzot, assumiu a nova pasta de Assuntos Rodoviários. O novo cargo não agradou ao irmão do governador que, em duas ocasiões, pediu licença de 30 dias antes de assumir, jamais chegando a exercer a função. A nomeação de Eduardo como secretário, acumulando a autarquia portuária é alvo de ação no STF.

Se aceitar o novo posto encontrado por seu irmão para abrigá-lo, Eduardo será responsável pela articulação entre todas as secretarias estaduais e os ministérios do governo federal, tendo a missão de apresentar os projetos do Estado e angariar recursos da União.