O pré-candidato do PMDB ao governo, senador Roberto Requião, reúne-se hoje com o candidato do PSDB à sucessão estadual, Beto Richa, dando continuidade às articulações para a construção de uma aliança no Estado.

O encontro é considerado decisivo para o desfecho das negociações entre os dois partidos. O horário e o local da conversa não foram revelados. Ontem, Requião voltou de Uruguaiana (RS), onde esteve presidindo uma reunião da Comissão do Mercosul, e disse que está buscando um acordo eleitoral que atenda aos interesses do Estado. “Estamos buscando o que é melhor para o Paraná”, disse. O senador não revelou o teor da conversa que manteve anteontem com o candidato tucano a presidente da República, o senador José Serra.

A dois dias da convenção estadual e a três do encerramento do prazo legal para a definição das candidaturas, o rumo das negociações entre tucanos e peemedebistas continua uma incógnita. Nenhum dos lados admite a renúncia à candidatura ao governo, condição tida como básica para que tucanos e peemedebistas reproduzam a aliança nacional no Paraná.

O pré-candidato do PMDB ao Senado, o ex-governador Paulo Pimentel, está cético quanto às possibilidades de um entendimento entre os dois partidos. Paulo avalia que é difícil superar o impasse da escolha da candidatura ao governo. “São dois partidos com dois candidatos ao governo. Nenhum está disposto a abrir mão de sua candidatura. Diante desta situação, não vejo possibilidades de uma mudança no quadro”, afirmou o ex-governador. Ele acredita que tanto Requião como Beto serão candidatos ao governo.

Requião se declarou, ontem, “estupefato” com algumas alianças já anunciadas no Paraná. “Elas não atendem os interesses paranaenses”, disse. Sem identificar esses acordos, que classificou como “esquisitos”, o senador disse que foram estas composições que o forçaram a dialogar com outras forças políticas. “Sentimos o peso de nossa responsabilidade e decidimos fazer de tudo para evitar que o Paraná acabe mais uma vez em mãos erradas”, explicou.

O senador também se reuniu com integrantes da Executiva Estadual e deputados estaduais para fazer um balanço dos preparativos da convenção do PMDB, no próximo sábado. A expectativa é reunir pelo menos cinco mil pessoas no salão principal do Paraná Clube. São aguardados centenas de ônibus e representantes dos 399 municípios paranaenses. No total, a convenção terá 482 votos válidos.

Richa não vê entrave político

O ex-governador José Richa disse ontem que não vê obstáculos políticos numa aliança do PSDB com o PMDB do Paraná, mas acredita que legalmente não é possível substituir seu filho, Beto Richa, pelo senador Roberto Requião na cabeça de chapa para o governo. “O Beto não se oporia à substituição se isso significasse vantagem para o Serra (candidato tucano à sucessão presidencial). Mas acho que tem uma questão legal que impede isso”, afirmou Richa, um dos coordenadores da campanha de Serra.

Richa informou que seus advogados estão estudando a abertura de um processo contra a revista Isto É, que publicou uma matéria envolvendo o ex-governador numa denúncia sobre remessa ilegal de dinheiro para o exterior. “É uma indignidade, uma total falta de ética. Se eles fossem profissionais teriam me ouvido”, afirmou Richa, acrescentando que a partir de agora o diálogo com a revista paulista será na Justiça. O ex-governador afirmou que não conseguiu entender na matéria qual seria o benefício que obteve com a operação. “A matéria não tem nem pé e nem cabeça. Fui beneficiário do quê afinal de contas”, questionou.

Ele afirmou que desde que iniciou sua carreira política, em 72, guarda não apenas as suas declarações de bens como também os canhotos de talões de cheques. “Não precisa quebrar o meu sigilo bancário”, afirmou.

Richa comentou que não há problemas em ter o senador Roberto Requião como candidato ao Senado numa chapa com o PSDB. Ele acha, porém, que haveria empecilhos legais para alterar a composição da chapa. (EC)