“Ta tudo acertado. Nós se finge (sic) de leitão, para mamar deitado”. A frase enigmática do governador Roberto Requião (PMDB), seguido por um discurso de defesa do governo Lula, pregação da unidade das esquerdas e críticas ao neoliberalismo, durante a vista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) da Petrobrás, em Araucária, foi um bom indício do resultado da visita de Lula ao Paraná.

Após a briga de Requião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), e o rompimento do PT com o governador, o discurso de Requião recoloca o PMDB do Paraná no caminho da aliança com o PT, frustrando a expectativa do PSDB (e de alas peemedebistas) de atração do governador para seu palanque.

Com uma agenda repleta de visitas (Repar, Positivo Informática e Dedic, em Londrina), Lula teve tempo para deixar “tudo acertado” quanto ao apoio das lideranças paranaenses dos partidos da base de governo à candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência.

Lula foi recebido por Requião no Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba e viajou com o senador Osmar Dias (PDT) de Curitiba para Londrina. “O Paraná, independente de eleições, é um estado muito importante para o Brasil, pois uma das economias mais fortes do País. E também é importante do ponto de vista político e eleitoral. Qualquer pessoa que queira governar o Brasil, tem que passar bem pelo teste do Paraná. Se a pessoa que eu quero que seja presidente está me ouvindo, ela tem que vir para o Paraná muitas vezes”, disse Lula em entrevista ao deputado Luiz Carlos Martins (PDT), na rádio Banda B.

Lula disse ainda trabalhar com a ideia de construir a maior aliança possível no Estado, reunindo todos os partidos de sua base de governo. “É muito fácil de falar, mas muito difícil de fazer, pois teremos complicações toda vez que se tem mais que um candidato. Temos que conviver com isso, trabalhar com essas dificuldades e não fechar as portas das boas relações que criamos ao longo deste anos”, concluiu.

Durante o trajeto entre Curitiba e Londrina, o presidente Lula, a ministra Dilma e o senador Osmar Dias, pré-candidato ao governo do Paraná, tiveram tempo suficiente para atualizar a conversa sobre a aliança que Lula quer montar no Paraná na eleição deste ano. “Não posso dizer que está tudo resolvido. As coisas estão caminhando”, disse o senador.

Mais uma vez, ontem, ele ouviu de Lula, que se a aliança se consolidar no Paraná, Lula virá ao Estado quantas vezes for necessário para a campanha do pedetista que, neste caso, estará conectado com o palanque da ministra Dilma.

“A popularidade do presidente Lula é algo impressionante. É demais. Se consolidarmos a aliança, ele vai ajudar muito”, disse o senador. O que tem sido apontado como demora no desfecho das articulações para compor com o PT no Paraná é descrito pelo senador como “cautela” para não errar. “E o presidente Lula concorda comigo. Para uma aliança se concretizar tem que dar alguns passos. Estou trabalhando para construir uma aliança para disputar a eleição. Eu tenho meu calendário e roteiro e o presidente concorda”, afirmou Osmar.

Enquanto Lula é aplaudido, Requião recebe vaias

Roger Pereira

Ao mesmo tempo em que o presidente Lula deu show de popularidade na visita ao Paraná, sendo aplaudido, tendo o nome cantado e passando cerca de 15 minutos dando autógrafos nos uniformes dos petroleiros da Repar, o governador Roberto Requião (PMDB) não foi tão bem recebido pelos trabalhadores da refinaria, que ensaiaram uma vaia quando seu nome foi chamado.

“Como um defensor da visão nacional e dos trabalhadores, não compreendi a ridícula v,aia com que alguns palhaços tentaram agredir no começo da minha intervenção. Eu sou um quadro eleitoral extremamente franco, não faço política com demagogia e levo às últimas consequencias o que digo e o que faço. A última coisa que esperaria na minha vida era uma manifestação como essa numa assembleia de trabalhadores de uma empresa nacional como a Petrobras”, discursou Requião após a vaia.

Para manter o bom relacionamento com Lula durante a visita do presidente, Requião sujeitou-se, até, ao constrangimento de passar toda a cerimônia sentado ao lado do ministro Paulo Bernardo, a quem acusou de propor contrato superfaturado para obra ferroviária no Estado.

Pela acusação, Bernardo está processando o governador, pedindo indenização de R$ 100 mil. Apesar de não trocarem nenhuma palavra, os dois se aturaram lado a lado por cerca de duas horas. Mais tarde, no twitter, Requião se soltou.

Atribuiu as vaias à “turma do PB (Bernardo)” e disse que aproveitou a visita de Lula e Dilma para contar a eles sobre a suposta proposta. “Tive oportunidade de explicar ao Lula e à Dilma a proposta imoral dos dois Bernardos sobre o ramal Guarapuava-Ypiranga. Mais uma vez”, tuitou.