Requião foi criticado por sua
participação na campanha eleitoral.

A participação do governador Roberto Requião (PMDB) na campanha eleitoral acabou dominando as discussões de ontem no plenário da Assembléia Legislativa. O deputado Fernando Ribas Carli (PP), que disputa a Prefeitura de Guarapuava, acusou o governador de condicionar a liberação de recursos para o município à eleição de Cesar Silvestri (PPS), o candidato que tem o seu apoio. As declarações foram gravadas e utilizadas durante o programa de Silvestri no horário eleitoral gratuito.

Na esteira de Carli, outros deputados da oposição se manifestaram, juntando inclusive declaração atribuída ao governador em recente comício do candidato Angelo Vanhoni (PT) a respeito do programa de segurança integrada para Curitiba. Requião teria dito que só haverá integração entre o governo do Estado e a Prefeitura se o prefeito for o petista. O Palácio Iguaçu desmentiu a informação, explicando que a posição do governador foi outra: Vanhoni soma porque tem o apoio tanto do governo estadual quanto do governo federal.

Discriminação

O deputado Rafael Greca (PMDB) afirmou acreditar que as palavras de Requião foram mal interpretadas: “Ele é governador de todos os paranaenses e não pode discriminar qualquer prefeito eleito, seja de que partido for. Eu mesmo governei Curitiba sendo oposição ao então governador Roberto Requião, e nós fizemos muita coisa juntos, entre eles o Prosan, um dos programas mais importantes da administração. Não fui discriminado e acredito que ele não discriminará ninguém”.

Parlamentares da oposição não ficaram muito convencidos. Ademar Traiano (PSDB) insistiu, em aparte, que o governador vem prometendo tratamentos diferentes para os aliados nos comícios de que participa no interior e isso precisa ser questionado.

Augustinho Zucchi (PDT) preferiu minimizar, observando que “essas declarações têm cunho político-eleitoral, apenas. Se não fosse assim, prefeitos do PMDB e de outros partidos não teriam sobrevivido ao governo Lerner, por exemplo. Coisas ditas no calor da disputa não devem ser superestimadas”.

O primeiro secretário da Casa, deputado Nereu Moura (PMDB), ponderou que o governador, como cidadão, tem todo o direito de manifestar sua preferência por este ou aquele candidato, mas jamais prejudicaria um município por divergir de sua escolha eleitoral. E isso pode ser comprovado no exame de sua administração anterior. (Sandra Cantarin Pacheco)

“Estão tentando criar factóides”

A assessoria do governador Roberto Requião (PMDB) disse que os deputados de oposição inventaram a frase atribuída a ele e que estão tentando criar factóides. Conforme a assessoria do governador, a declaração que deu origem à acusação de discriminação a adversários jamais foi feita por Requião. O que o governador disse no comício realizado na sexta-feira passada em Curitiba, segundo sua assessoria, foi que a eleição do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) facilitaria a implantação do programa de segurança integrada já que o candidato e ele têm a mesma concepção de política de segurança pública. Ainda de acordo com a assessoria, Vanhoni é o único candidato que compartilha da mesma visão de Requião sobre o problema e que essa identidade facilitaria a adoção da proposta defendida pelo petista para a área. Segundo a assessoria do governador, os deputados de oposição deveriam estar discutindo assuntos de interesse da população de todo o Estado em vez de repercutir declarações falsamente atribuídas a Requião. (EC)