Foto: Arquivo/O Estado

Requião: candidatura própria não vai empolgar.

Depois de anunciar apoio ao governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, nas prévias do seu partido para indicar um candidato à presidência da República, o governador Roberto Requião se declarou desencantado com o processo de candidatura própria do PMDB. Em declarações feitas ao blog do jornalista Fernando Rodrigues, o governador do Paraná prevê uma "campanha chocha". Para Requião, a candidatura própria não vai empolgar porque o PMDB não tem um programa de governo.

Requião disse que Rigotto e o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, os dois inscritos para as prévias marcadas para o dia 19 de março, não apresentaram uma proposta para o país. "Não vi nada ainda de proposta claras do Rigotto nem do Garotinho. Sem programa de governo definido, não tem consistência. Vai ficar uma campanha chocha. Não vai a lugar nenhum", disse o governador do Paraná.

Na entrevista, Requião disse que o melhor candidato à sucessão presidencial é o presidente Lula, mas aquele da campanha eleitoral de 2002. "O melhor candidato seria o Lula antes de ser presidente. Era o candidato da esperança. Era a isso que o PMDB deveria aspirar. Dar esperança, dizendo o que fará para o país crescer, o que fará com o Banco Central, com a taxa de juros. Eu acho que devemos ser bem claros com essas propostas", comentou.

O governador do Paraná acha que o PMDB poderia ter avançado na discussão do projeto formulado por Carlos Lessa e um grupo de economistas, sob encomenda do partido. Lessa, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, traçou alguns fundamentos do que poderia ser uma proposta do PMDB para o país, mas o programa não foi desenvolvido nos vários encontros estaduais realizados pelo partido, que acabaram se transformando em um palanque para Garotinho.

Conforme alguns relatos, na conversa com o presidente da República, na manhã da sexta-feira passada, dia 3, Requião fez diretamente a Lula as críticas que vem fazendo publicamente à política econômica, há dois anos. O governador afirmou a Lula que não acredita em crescimento econômico se mantida a política do ministro Antonio Palocci.

"O Lula está convencido de que o país vai crescer 5,1% neste ano. Eu não estou. Ele continua a repetir que as bases do crescimento foram dadas, que os sacrifícios já foram feitos. E mais o velho discurso monetarista de sempre", relatou Requião ao blog de Fernando Rodrigues.

Mesmo empenhado em conquistar o apoio do PMDB para a sua possível candidatura à reeleição, o presidente Lula deixou o governador do Paraná à vontade, segundo relatou o presidente estadual do PT, deputado André Vargas. Conforme o petista, o presidente afirmou ao governador que não quer levar ninguém de forma forçada a um possível palanque da sua reeleição.

A eleição no Paraná também fez parte da conversa, segundo Vargas. Lula afirmou ainda ao governador do Paraná que candidatura própria é um escolha natural de um partido e que, no Paraná, por exemplo, o PT do Paraná irá lançar um nome para o govern. No sábado, o diretório estadual apresentou o senador Flávio Arns para a sucessão de Requião.

Hoje, o governador reúne os secretários do Planejamento, Reinhold Stephanes, e o procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, que o acompanharam na audiência com o presidente para relatar na escola de governo as promessas feitas por Lula para resolver o impasse dos títulos podres do Banestado.