Requião desafiou cúpula do PMDB
como anticandidato à Presidência.

“Agora, volto ao Paraná com energia redobrada para disputar o governo do Estado”, disse ontem o senador Roberto Requião, em Brasília, depois de ter marcado posição como “anticandidato” à Presidência da República, na convenção nacional do PMDB. Requião disse que disputou a convenção nacional “como representante da vontade da maioria esmagadora dos peemedebistas”, mas que foi vencido pelo “rolo compressor” do governo, que negociou os votos dos convencionais em diversos Estados.

Requião passou boa parte do dia de ontem discutindo com os peemedebistas paranaenses a sua agenda para o próximo final de semana. Para sexta-feira, ele marcou compromissos em Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu. No sábado, participa de um debate entre pré-candidatos ao governo do Paraná, promovido pela TV Iguaçu. No domingo, vai à Londrina para uma grande concentração política do PMDB do Norte do Estado. Na segunda-feira, em Curitiba, reúne-se com professores universitários, para discutir sua proposta educacional.

O peemedebista orientou ainda os dirigentes estaduais do PMDB a intensificarem contatos com outros partidos, para formalizar possíveis coligações, nas eleições majoritárias. Outra preocupação manifestada por Requião é a convenção estadual do PMDB, dia 29, quando a sua candidatura vai ser homologada. Discursando na sessão da tarde de ontem, no Senado, Requião fez um histórico do embate entre governistas e peemedebistas autênticos, na convenção nacional do PMDB, e denunciou a “interferência desabusada” do governo na convenção de seu partido.

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O senador leu também, no plenário, matéria de um jornal de Brasília dizendo que o Ministro Nelson Jobim, presidente do TSE, orientou a direção do PMDB sobre como agir para cassar a liminar dada pelo ministro do TSE, Sálvio Figueiredo, suspendendo a convenção. Foi o próprio Ministro Jobim que cassou a liminar. Para o senador Requião, essa denúncia é mais grave que a violação do painel do Senado, que levou dois senadores a renunciarem seus mandatos.

Requião reafirmou que só aceitou disputar a convenção do PMDB para representar a ala independente do partido, e aqueles que se opõem ao modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo tucano. O senador lamentou ainda as defecções acontecidas na convenção de sábado, quando diretórios estaduais como os do Rio Grande do Sul, Goiás, Maranhão, Amapá e parte de Santa Catarina, que haviam se comprometido em votar na oposição, bandearam para as hostes governistas. Requião lamentou especialmente a mudança de posição de Goiás, que tinha 60 votos na convenção. Requião disse que a posição de alguns Estados em favor de sua candidatura “só fez aumentar o preço da barganha”. Ele lembrou ainda que não fez promessas aos delegados e sequer pediu voto. “Era uma questão de consciência”.