Foto: Ciciro Back

Investigação por desvio de finalidade da TV Educativa deixou Requião uma fera.

O governador Roberto Requião (PMDB) voltou a usar a reunião semanal do secretariado – ?escola de governo? e a sua transmissão ao vivo pela TV Educativa para atacar o Ministério Público. A motivação do governador foi a representação da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, junto ao Ministério Público Federal (MPF), por desvio de finalidade e uso político da TV Educativa.

O MPF está investigando o uso indevido da televisão estatal com base nas denúncias feitas pela presidente da Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), Maria Tereza Uille Gomes, que apresentou, durante o congresso da Associação Nacional, gravações de ataques do governador ao Ministério Público durante reuniões da ?escola? ou na programação da TV Educativa. De acordo com o MPF, o material está em análise e se forem detectadas irregularidades, a promotoria deve impetrar uma ação civil pública.

?Os membros do MP extraordinariamente democráticos resolveram levar para um Congresso Nacional um filminho e contrataram o Aristides Junqueira, ex-procurador da República, para fechar a TV Educativa do Paraná?, disse Requião. ?Eles dizem que a televisão do Estado não está cumprindo a sua função. Acham que a função da TV é tocar moda de viola. O governador não pode promover o debate político na TV pública??, questionou.

Requião, que voltou a questionar as diferenças de salário entre o MP e o Executivo estadual, dizendo que um motorista do MP ganha cerca de R$ 3,2 mil, enquanto no Estado, um funcionário com a mesma função recebe R$ 600,00, convidou a presidente da APMP para debater tanto o uso da TV Educativa quanto os salários e as aposentadorias do Ministério Público. ?O MP quer descer o manto de santidade sobre a televisão do Paraná. Que se manifeste a sociedade. Quem tem a petulância de silenciar o governador e fechar a TV Pública? Fica aqui o convite ao Ministério Público. Vamos debater esses privilégios, essas bases do principado?, esbravejou.

Através da assessoria de imprensa da APMP, a procuradora Maria Tereza Uille Gomes disse que não se pronunciará sobre as declarações do governador.