A reunião de Osmar Dias (PDT) com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, foi vista com mais otimismo pela cúpula do PT estadual. Se para Osmar a reunião pouco representou, para Dutra, chegou a hora de o PT do Paraná arregaçar as mangas.

Logo após o café da manhã com Osmar, Dutra chamou o ministro Paulo Bernardo, os deputados federais Ângelo Vanhoni, André Vargas e Doutor Rosinha e o presidente do PT no Paraná, deputado estadual Ênio Verri, e passou-lhes a missão de, até o final deste mês, construir a chapa PDT/PT/PMDB no Paraná.

“A novidade é a disposição de se sentar e resolver a questão. Vamos procurar o governador Pessuti e o ex-governador Requião e, a partir daí, discutir a formulação de uma chapa. Não vamos discutir nomes para o Senado por enquanto. Depois resolveremos o problema entre nós (os três partidos)”, disse Vanhoni. “Agora é a hora de gestar todas as possibilidades. Juntos, PT, PDT e PMDB podem traçar um novo caminho para a eleição do Paraná”, acrescentou.

“O que está acontecendo agora, é que todos estão calçando as “sandálias da humildade”. Todos entenderam a necessidade de PT, PDT e PMDB estarem juntos”, emendou André Vargas.

Para o secretário de comunicação do PT Nacional, já há, até a chapa ideal: Osmar para o governo, vice para o PMDB, Requião e Gleisi para o Senado. O principal impasse, concordou o deputado, passaria a ser a pré-candidatura de Orlando Pessuti (PMDB) à reeleição.

“É questão de conversarmos todos e percebermos qual o melhor cenário. Até agora parecia que estávamos todos trabalhando para eleger o Beto Richa (PSDB)”, brincou. Vargas disse que também é possível PT e PDT irem sem o PMDB no primeiro turno com compromisso de apoio no segundo turno. “Mas daí vai depender da disposição do Osmar”.

Questionado sobre se o PT cederia à reivindicação de Osmar de desistir de lançar Gleisi Hoffmann para o Senado a apresentá-la como candidata a vice-governadora, Vargas disse que o partido já cedeu a cabeça de chapa e que a pré-candidatura de Gleisi ao Senado não é “incongruente” com a aliança, mas deu uma pista.

“Se fecharmos essa chapa que consideramos ideal, não há nenhuma necessidade de a Gleisi abrir mão do Senado, pois teríamos dois nomes para duas vagas: Gleisi e Requião. Agora, se conseguirmos trazer o Requião para a chapa oficialmente e for uma exigência que se abra mão, podemos avaliar”, disse Vargas.

Pelo twitter, o ex-governador Requião, que não quis dar entrevista para O Estado, deu seu recado sobre o que pensa dessa negociação: “Para garantir palanque da Dilma: Gleisi acompanha Osmar na vice ou encara candidatura ao governo. Não há outro caminho. Ponto final”.

PMDB acha difícil sair da disputa por nova aliança

O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, disse achar difícil, agora, convencer o PMDB a desistir da candidatura do Pessuti e apoiar Osmar Dias. “O PMDB decidiu por candidatura própria no ano passado e apresentou o nome do Pessuti. O PT deveria, lá no começo, ter se juntado a nós e elegeríamos o Pessuti, o Requião, a Dilma e a Gleisi. Agora, nos querem num papel acessório”, disse.

“Mas vamos conversar, conversamos com todo mundo, mas sem esquecer que temos candidato”. Pugliesi disse ser natural a procura pelo PMDB. “Quem não quer o apoio do PMDB? Mas nós, que temos o governador e o maior partido do Estado e do País, queremos conduzir esse processo, e não ser conduzidos. Por que PT e PDT não vêm apoiar o Pessutão?”, questionou.

A posição de Pugliesi é mais firme, até, que a do próprio governador e pré-candidato à reeleição, Orlando Pessuti que, em entrevista à Rádio C,BN, disse estar bastante próximo de Osmar e conversa frequentemente com o senador.

“Inclusive ele me ligou nesta manhã e eu disse a ele que estaremos juntos nesta eleição, quem sabe, já no primeiro turno”, disse. “Ele disse isso porque espera que o Osmar venha a apoiá-lo”, interpretou Pugliesi.

A definição do PMDB na eleição passa, ainda, pelo impasse entre Pessuti e Requião. Depois de tanto ouvir críticas de seu antecessor, Pessuti, ontem, resolveu devolver alfinetadas.

“Ele me deu posse no dia 1º de abril, mas o meu governo, que é da verdade, resolveu, em 38 dias, o que o governo anterior não fez em sete anos”, disse, ao comentar o sucesso da parceria com Osmar para solucionar a questão da multa pelos títulos do Banestado.