A crítica sobre a baixa quantidade de agentes penitenciários no momento da explosão seguida de fuga da Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP 1), na madrugada do último domingo (15), foi rebatida na manhã desta segunda-feira (16) pelo governador Beto Richa. De acordo com o governador, “mais agentes não teriam evitado a fuga”.

Reportagem da Aberga (Associação Brasileira das Empresas de Remoção e Guarda e Alienação de Veículos Apreendidos) mostrou que havia dez agentes penitenciários e dois policiais no local no momento do motim.

LEIA MAIS: Veja a lista de foragidos!

“O planejamento para contratação de mais agentes está sendo feito pela Sesp [Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária]. Mas mesmo que tivesse mais agentes. Não seriam mais agentes que iriam conter aquela invasão à penitenciária, seguida da explosão e da fuga. O importante foi a presença da polícia, que evitou uma fuga maior de presos”, afirmou Richa durante entrevista coletiva concedida na sede da Prefeitura de Curitiba para anunciar a retomada da integração do transporte coletivo metropolitano.

A fuga da PEP I foi orquestrada com os presos da Casa de Custódia de Piraquara, que teriam iniciado um tumulto para que as forças de segurança se deslocassem para lá. As unidades ficam distante cerca de 300 metros uma da outra. Nesse momento, a unidade prisional contava com apenas dez agentes penitenciários e dois policiais militares na guarita para tentar evitar a fuga, que contou com a explosão de um muro e uma escolta de 15 homens fortemente armados.

Na mesma entrevista, o governador Beto Richa disse que era “difícil” dizer se algo poderia ter sido feito para evitar o motim.

Déficit de vagas

Apesar de não contar com uma grande superlotação em seus presídios, o Paraná conta com um déficit de vagas para receber os presos que ainda estão sob custódia irregular do estado em delegacias e cadeias públicas. Segundo Beto Richa, ainda há cerca de sete mil presos nessas condições.

“Mas é importante destacar que o Paraná tinha a pior situação prisional do Brasil em 2011, com 16 mil detentos em cadeiras públicas e delegacias. Nós já retiramos cerca de oito ou nove mil detentos, faltam sete mil. Aqui na capital praticamente resolvemos essa situação. Agora, com a construção que está em curso de novas penitenciárias ou ampliação das existentes, a ideia é ter essas sete mil vagas para recepcionar esses presos.”

A gestão Beto Richa promete construir ou ampliar 14 unidades prisionais com um investimento de cerca de R$ 140 milhões desde o início do seu primeiro mandato. Segundo o governador, a culpa pela demora em tirar os projetos do papel é da gestão da presidente deposta Dilma Rousseff. “Demorou porque tivemos erros de projeto do Ministério da Justiça, apontados pela nossa ex-secretária Maria Tereza Ulile, que hoje integra o Conselho Nacional de Justiça. Ela tinha apontado erros de projeto. Então daí foi mais de um ano, um ano e meio, para refazer esses projetos”.