Transparência da instituição, aproximação da sociedade e rigor no combate à corrupção, na avaliação de Milton Riquelme de Macedo essas são as três principais contribuições que seus dois mandatos na Procuradoria Geral de Justiça deixam para o Ministério Público do Paraná. Riquelme diz que entrega o cargo com o sentimento de dever cumprido.

?Abrimos as portas do Ministério Público. Nossos balanços financeiros estão na internet, transmitimos sessões ao vivo e aproximamos a instituição da sociedade com a criação de novas promotorias e da ouvidoria?, disse, reforçando que sua principal luta foi pelo combate à corrupção. ?Sempre defendi a prioridade ao combate à corrupção, pois é da verba pública que as demandas sociais são atendidas. O dinheiro que é desviado nos crimes de colarinho branco é o mesmo que depois faltará na saúde, na educação?, comentou. Ele contou que, só entre 2006 e 2008, o setor de Crimes Praticados por Prefeitos do MP-PR propôs 94 denúncias criminais contra agentes públicos envolvidos em práticas criminosas.

Mas Riquelme também enfrentou dificuldades durante sua gestão: divergências internas e conflito com o governo do Estado incomodaram o procurador-geral. ?Mas a principal dificuldade foi a questão orçamentária, que nos impediu de realizar concurso público para suprir nossa demanda de funcionários?, comentou. Sobre os desentendimentos com o governo do Estado, motivados pela ação contra o nepotismo movida pelo MP, Riquelme manteve seu discurso apaziguador. ?Não se pode envolver a instituição em uma crise por conta de um ponto em discussão. Tanto o MP quanto Estado são muito maiores que isso. Em todas as frentes da vida social sempre acaba tendo algum tipo de atrito. Tem de administrar com serenidade, equilíbrio e resolver as questões que surgirem?, afirmou.

?Enfrentamos alguns problemas, mas com transparência e unidade da instituição, saímos mais fortes dele?, avaliou Riquelme, que cita como exemplo a reestruturação das Promotorias de Investigação Criminal, que passaram a Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ?e, agora, realmente conseguem atuar no combate ao crime organizado?.

O combate ao nepotismo foi outra bandeira defendida pelo MP no período em que Riquelme comandou a instituição. Depois de extinguir a prática em seus quadros, o MP acionou, além do governo do Estado, a Assembléia Legislativa e diversas prefeituras e Câmaras Municipais. Apesar de a Justiça indeferir as ações, por entender que é necessária uma lei para regulamentar a questão, Riquelme acredita que a ação do MP contribui para o fim da prática. ?O assunto está na pauta, mais cedo ou mais tarde a disciplina ao nepotismo virá?, declarou.