O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire, conversou ontem em Curitiba com o ex-governador Jaime Lerner (PSB). Freire veio participar do 4.º Encontro Estadual do PPS e, junto com o presidente regional do partido, Rubens Bueno, convidou o ex-governador do Paraná para discutir a conjuntura nacional e a aproximação entre os dois partidos no Estado com vistas a uma possível composição para o governo em 2006. O encontro foi no hotel onde Freire estava hospedado em Curitiba.

Pré-candidato à presidência da República, Freire disse que, nacionalmente, não há muitas chances de um acordo com o PSB que, apesar de fazer críticas à política econômica, integra a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional e participa do governo. Mas, regionalmente, Freire citou que há  disposição de uma composição entre os dois partidos. ?No plano nacional, a posição do PSB é ambígua porque critica o governo, mas fica lá. Em alguns estados, um destes é o Paraná, é possível ter um bom diálogo?, afirmou o dirigente nacional do PPS.

Para a sucessão presidencial, o PPS tem acordos costurados com dois pequenos partidos, o PHS e o PV, e continua negociando com o PDT. Mas com os pedetistas, as articulações não estão evoluindo. Além de o PDT já ter dois pré-candidatos à sucessão – os senadores Jefferson Peres e Cristovam Buarque – o fato de uma parte do PDT ser alinhada ao governo no Congresso ?dificultaram? os avanços, disse Freire. Ele citou o episódio da retirada por alguns pedetistas do apoio à prorrogação da CPMI dos Correios. ?Mas alguns dirigentes estaduais e outros nacionais continuam uma boa conversa?, comentou.

Freire criticou o governo Lula, a quem acusa de ter envolvido a esquerda com a corrupção, e fez uma projeção sobre o agravamento da situação econômica que levaria o país a uma crise e ao isolamento do governo e do PT. Freire afirmou que os indicadores apontam para a desaceleração da economia e os prenúncios são de uma crise que já está desenhada com os conflitos entre a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. ?E os aliados que já eram encabulados, nessa hora da crise, podem se afastar?, disse o dirigente do PPS, referindo-se ao PC do B e ao PSB.

Mas não foi apenas o governo o alvo dos ataques de Freire. Ele disse que o PFL e PSDB sustentam a atual política econômica e classificou os dois partidos como oposição ?meia-bomba?. Segundo Freire, o PPS faz ?oposição integral? ao governo Lula e teve a coragem de deixar a base aliada no auge da popularidade do presidente.

O presidente do PPS reclamou que a atual legislação partidária e eleitoral está impondo ao País a polarização das eleições do próximo ano à presidência entre PSDB, PT e PMDB. Dispositivos como a cláusula de barreira, que exigem uma votação mínima nacional para o reconhecimento das siglas, e que fazem parte das propostas de reforma política, a exigência de um ano de filiação partidária para candidatos, entre outros pontos, estabelecem uma ?reserva de mercado? para os grandes partidos, afirmou Freire. ?O País já vive uma tragédia nacional com a corrupção e o nosso processo eleitoral tem regras em que os atores já estão definidos?, atacou. Mesmo assim Freire disse que mantém a pré-candidatura porque avalia que o PMDB, PFL e PSDB não se constituem numa alternativa para o País e que o PPS não pode se submeter ao jogo dos grandes partidos.