Integrante da CPMI dos Correios, o deputado federal Dr. Rosinha (PT) revelou ontem que sete paranaenses constam da lista de políticos que teriam recebido recursos de um suposto esquema de caixa 2 para campanhas eleitorais  feito nas Centrais Elétricas de Furnas, nas eleições de 2002. Conforme Dr. Rosinha, integram a relação, que ainda não teve sua autenticidade comprovada, os deputados federais Affonso Camargo (PSDB), Abelardo Lupion (PFL), Eduardo Sciarra (PFL), Ricardo Barros (PP), José Janene, o ex-deputado José Borba e o ex-presidente da Usina de Itaipu, Francisco Luiz Gomide. Na reunião de ontem da CPMI, Rosinha defendeu a convocação do ex-presidente de Furnas Dimas Toledo para esclarecer as denúncias.

Rosinha disse que Toledo é apontado como autor da lista com os 156 políticos que teriam sido beneficiados nas eleições de 2002 por um caixa 2 de R$ 39,9 milhões. O caixa 2 teria sido centralizado em Furnas a partir de doações de 102 empresas privadas e públicas que manteriam relações com a companhia energética, afirmou o petista.

Outro integrante da CPMI, Gustavo Fruet (PSDB-PR), considerou inevitável a investigação da lista. Segundo o deputado, a lista ganhou relevância com a declaração do ex-deputado Roberto Jefferson, que, em depoimento à Polícia Federal, confirmou ter recebido a doação de R$ 75 mil da estatal. No entendimento de Fruet, Jefferson legitimou parte dessa lista, ao assumir o recebimento do dinheiro. "Temos de investigar para ver o que tem de real e o que tem de apócrifo. Acho que a Polícia Federal já está investigando. Veja como a PF é eficiente quando quer", disse Fruet. Ele destacou que a PF não concluiu o inquérito que investiga as relações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza com o PT e empresas que teriam abastecido o caixa 2 do partido.

Dos 156 nomes que constam da lista do caixa 2 de Furnas, Rosinha mencionou que 48 são políticos do PSDB, 34 do PFL, 21 do PP, 15 do PMDB, 13 do PTB, 11 do PL e 5 do PPS. PDT, Prona, PRBT, PSC e PSB aparecem com um nome cada. Outros quatro nomes não têm filiação partidária conhecida, relacionou Rosinha. Ele citou que o esclarecimento de Toledo seria importante para identificar eventuais fraudes na lista. "Há denúncias de que alguns nomes teriam sido enxertados no documento, o que ainda precisa ser esclarecido por Dimas Toledo e investigado pela CPMI", ponderou o deputado, embora cite que um parecer do perito Ricardo Molina concluiu que não há indícios de manipulação fraudulenta no dossiê.

Processo

Procurados por O Estado, alguns dos deputados mencionados por Rosinha prometeram tomar providências judiciais contra os responsáveis pela divulgação dos seus nomes, antes da comprovação da autenticidade da lista. Eduardo Sciarra disse que, entre as medidas legais que adotará, será acusar o deputado petista de quebra de decoro parlamentar. "A Mesa Diretora da Câmara já pediu que se investigue essa lista. E é o que a Polícia Federal está fazendo. Trata-se de um documento sem nenhuma credibilidade e do qual se sabe apenas que é uma cópia. Nem original existe", afirmou o deputado. Ele suspeita que a relação tenha sido forjada para prejudicar parlamentares que votam contra o governo no Congresso Nacional. Sciarra repassou a O Estado cópia de uma nota de esclarecimento, atribuída a Dimas Toledo afirmando que a relação é falsa.

O deputado federal Affonso Camargo disse que, há dias, já havia sido informado sobre a existência de um documento apócrifo, e que está aguardando que o Ministério da Justiça e a Procuradoria da República apurem a autoria. "Não estou preocupado porque já fui ministro duas vezes e nunca tive minha idoneidade colocada em dúvida. Essa lista vai acabar como outras, desmoralizada. Nunca, ninguém vai comprovar que sou desonesto", afirmou Camargo.

O deputado Abelardo Lupion, por meio de sua assessoria, informou que já contratou um advogado para processar os autores da lista, que classifica como uma "mentira". Lupion também comentou que os responsáveis pelo dossiê devem ser condenados por ferir a honra alheia.

O Estado não conseguiu localizar o ex-deputado José Borba e o ex-diretor da Itaipu, Francisco Gomyde. Rosinha explicou que o documento sobre o susposto Caixa 2 de Furnas foi revelado pelo lobista Nilton Monteiro, o mesmo que apresentou uma planilha sobre o caixa 2 na campanha de 1998 do então governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB). Durante a reunião da CPMI dos Correios, Dr. Rosinha informou que o requerimento de convocação de Nilton Monteiro já está aprovado desde o dia 24 de agosto. "Apesar de lobista, ele é uma testemunha-chave", afirmou o deputado, citando que Monteiro pediu para ser ouvido pela comissão.

O deputado federal Ricardo Barros disse que solicitou providências à procuradoria da Câmara dos Deputados para que repare a informação da suspeita lista de Furnas. Barros afirmou que jamais recebeu recursos de Furnas ou de seus diretores para sua campanha de 2002 e atribuiu à lista ao que chamou de "desespero dos atuais governistas que estão querendo igualar todos os deputados mediante a opinião pública", afirmou.