O presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, disse ontem que a margem de negociação para resgatar a aliança entre tucanos e pedetistas no Estado vai além das posições de candidato ao governo ou ao Senado.

Para Bueno, as perspectivas para os pré-candidatos do PSDB, Beto Richa, e do PDT, senador Osmar Dias, podem ser um ministério ou outra posição de liderança no plano nacional, num eventual governo de José Serra (PSDB).

A era pós-Lula e pós-Requião oferecerá amplas possibilidades para a construção de uma liderança paranaense nacional, disse Bueno, que apresentou esta tese ao senador Osmar Dias. Os dois conversaram anteontem, quando o senador pedetista convidou Bueno para ser seu candidato a vice-governador.

Não foi a primeira vez. Há um mês, Osmar chegou a conversar sobre esse convite com o presidente Lula (PT), que deu sinal verde para a articulação e que, naquele momento se configurava como uma saída para contornar a exigência do PDT de ter Gleisi Hoffmann, ex-presidente estadual do PT, como a candidata a vice-governadora.

O presidente estadual do PPS afirmou que, aceitar o convite de pronto, seria o mesmo que desistir de restabelecer a aliança entre tucanos e pedetistas. “Se topasse, jogaria por terra a possibilidade da aliança. Eu ainda acredito que o Beto e o Osmar podem pensar mais alto, no País”, disse.

Defender a reedição da aliança que apoiou Beto em 2008, para a prefeitura de Curitiba não é advogar a desistência do senador Osmar Dias da disputa para o governo, afirmou o presidente do PPS.

“A eleição estadual não pode ser maior que o projeto nacional. Há muito tempo não há uma liderança do Paraná forte no cenário nacional. Há espaço para projetar novos líderes. E quem sair na frente desse processo, vai ser a grande liderança dos próximos anos”, afirmou. As eleições estaduais e nacionais estão conectadas intensamente, acrescentou.

Sem chances

Bueno afirmou que se Beto e Osmar não chegarem a um acordo, não haverá possibilidade de aceitar uma candidatura a vice-governador na chapa do pedetista se ele estiver na mesma composição que o PT. O impeditivo é nacional, citou.

Se a decisão dependesse apenas das relações do PPS com o PT do Paraná, não haveria obstáculos, afirmou Bueno. Porém, a função de secretário-geral do diretório nacional do PPS exercida por Bueno fecha qualquer possibilidade de o partido se inserir numa composição com o PT e o PDT.

“Justamente porque as eleições são casadas, não há como ser viável esse acordo. Nacionalmente, o PPS está num grupo adversário do PT. Aqui, as nossas relações com o PT, com a Gleisi (ex-presidente estadual do partido) são boas. Mas por mais honroso que possa ser o convite, não podemos colocar o Estado acima do País”, argumentou Bueno.