Os ruralistas estão organizando um movimento para cobrar do governo do Estado o imediato cumprimento das reintegrações de posse já expedidas pela Justiça nas áreas ocupadas pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). De acordo com o coordenador da Comissão Técnica de Política Fundiária da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), Tarcísio Barbosa de Souza, haveria 69 áreas ocupadas por sem-terra no Estado – 29 no atual governo.

O Palácio Iguaçu discorda dos números (ver reportagem abaixo), argumentando que na verdade existem 25 áreas ocupadas no Paraná, mas que oito já tiveram suas reintegrações de posse cumpridas pacificamente. A Faep está elaborando um documento pedindo o cumprimento dos mandados de reintegrações expedidos pela Justiça do Paraná.

Na última quarta-feira, o presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneguette, reuniu-se com o governador Roberto Requião (PMDB) e manifestou seu posicionamento sobre o problema. “O que queremos é apenas exigir o cumprimento da lei e garantir a paz no campo”, afirmou. No sábado da semana passada, Meneguette esteve em Paranavaí na reunião do

Nurespar (Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná), que reúne 35 sindicatos rurais patronais da Faep, e propôs aos ruralistas que intensifiquem os apelos para garantir o cumprimento das reintegrações de posse.

Embora o grupo afirme que não possui relação direta com o Sinapro (Sindicato Nacional dos Produtores Rurais), suas reivindicações possuem vários pontos em comum com as propostas da organização presidida pelo fazendeiro Tarciso da Rocha Clara, que na semana passada trocou acusações com o governador Roberto Requião (PMDB). “Nosso movimento é pacífico”, afirma Meneguette, que defende o diálogo na solução dos problemas do campo.

Mobilização

A mobilização dos ruralistas começou no dia 7 deste mês, quando cerca de 800 produtores da região Centro-Oeste e Centro-Sul do Paraná estiveram em Guarapuava para o lançamento do movimento “Obediência à Lei, pela Paz no Campo”. No final do encontro, os fazendeiros cobraram das autoridades um posicionamento mais rigoroso em relação ao MST no Estado. O grupo está elaborando um documento – que será encaminhado ao governo do Estado, à Assembléia Legislativa, ao Tribunal de Justiça do Estado e à Igreja Católica – relatando a insegurança que as ocupações de terra estariam causando no Interior do Paraná.

No dia 14, outro grupo de ruralistas e de lideranças políticas da região dos Campos Gerais se reuniu em Ponta Grossa em uma manifestação chamada “Reforma agrária sem invasão”, cujos objetivos são os mesmos dos produtores rurais no encontro em Guarapuava. Outros dois encontros estão sendo agendados em Cascavel e Maringá, cidades localizadas em duas regiões onde o Movimento dos Sem Terra também possui forte atuação. “A idéia é levarmos os produtores rurais das demais cidades do Estado a se engajarem no movimento”, explica Tarcisio Souza, da Comissão Técnica de Política Fundiária da Faep, órgão que teve suas atividades suspensas mas que, devido à nova onda de ocupações do MST, acabou sendo reativado em março deste ano.

Governo quer evitar violência

A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu disse ontem que o governador Roberto Requião (PMDB) considera “legítima” a manifestação que está sendo organizada pelos ruralistas do Estado. Segundo a assessoria, Requião respeita o posicionamento dos produtores rurais sobre as reintegrações de posse, mas vai manter a orientação que vem adotando em relação ao tema – a de cumprir os mandados judiciais sem a utilização da violência contra os integrantes do MST (Movimento dos Sem Terra).

“O governo vai manter a mesma postura de cuidar do tema com zelo extremo. O governo não fará nada no atropelo porque entende que a vida de um agricultor não vale o mandato de nenhum político, governante ou homem público”, informou a assessoria do governador.

O Palácio Iguaçu considerou exagerada, porém, a informação do deputado estadual Plauto Miró Guimarães Filho (PFL) – divulgada anteontem – de que haveria 50 reintegrações de posse não cumpridas no Estado. “O que existem são 25 ocupações de terras no Estado e oito reintegrações de posse já cumpridas pelo governo, de forma pacífica”, afirmou o assessoria, que também reiterou a opinião do governador sobre o MST. “O MST é um movimento legítimo, que merece o respeito do governo.”