Foto: Joedson Alves/Agência Estado

Sarney quer suspender prévias.

O senador José Sarney (PMDB-AP) acha ainda  possível suspender as prévias que seu partido marcou para domingo, dia 19, quando a legenda escolherá seu candidato a presidente da República. A possível suspensão das prévias é objeto de dura disputa entre oposicionistas e governistas, que tentaram realizar uma reunião da executiva para impedir a votação. Para ele, a votação é "prematura."

Ao chegar ontem à Academia Brasileira de Letras (ABL) para o velório do escritor Josué Montello, acadêmico e maranhense como o senador, Sarney quebrou uma tradição de pelo menos uma década e falou de política dentro do Petit Trianon. Segundo ele, ainda é possível suspender as prévias. "Até sábado dá tempo", disse.

Sarney disse ser contra uma candidatura a presidente pelo PMDB, seja ou não mantida a verticalização. Se mantida, hipótese que considera mais provável, "o partido não deve nem ter candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou. "O PMDB é hoje um partido sem grandes lideranças nacionais, mas com fortes lideranças estaduais e regionais. A verticalização impede que estas lideranças façam coligações." Para ele essas premissas se aplicam aos dois postulantes à candidatura presidencial dentro do partido, o ex-governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho, e o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. "Eles não são significativos", completou.

Caso caia a verticalização, Sarney acredita que o PMDB deve postular a vice-presidência de Lula, embora não indique nenhum nome. "Se não decidimos ter ou não candidato não adianta ter um nome", explicou. O senador disse ainda que não avalia se o lançamento da pré-candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a presidente pelo PSBD, torna mais fácil ou difícil a tarefa de derrotar Lula. "O que penso dele é o consenso nacional. Alckmin é um bom nome e bom administrador", comentou Sarney que, em outras ocasiões em que esteve na Academia recusou-se a falar em política alegando que "o local não é adequado ao assunto".

Executiva

O presidente Nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer, reafirmou ontem que o partido realizará a prévia neste domingo, e confirmou que deve convocar a executiva nacional da legenda, logo após a decisão sobre o candidato, para discutir a antecipação da convenção nacional do partido. Temer disse já ter recebido o requerimento, enviado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), com as assinaturas necessárias para que se convoque a executiva.

"O ideal é aguardar a decisão do STF sobre a verticalização para que se decida efetivamente sobre o tema", disse o presidente do PMDB, que espera decidir sobre a viabilidade de uma candidatura própria até abril.

Temer admitiu, entretanto, que a convocação da convenção não será um ato fácil, dado que o candidato escolhido na prévia deve exigir a confirmação da candidatura. Caso seja o governador Germano Rigotto (RS), por exemplo, a situação fica ainda mais difícil, porque ele terá de entregar o cargo até o dia 31 de março, data final para a desincompatibilização. "Não será simples realizar a convenção, mas só quero discutir o assunto a partir da segunda-feira, depois da prévia", afirmou Temer.

Alheio aos movimentos da ala governista do partido, o diretório regional do PMDB de São Paulo, assim como diversas sessões regionais do partido, confirmou a realização das prévias marcadas para domingo. Segundo o comunicado divulgado pelo partido, a prévia na capital paulista ocorre na Assembléia Legislativa, das 9 às 17 horas.

No Brasil, segundo informações distribuídas pelo diretório nacional do partido, estão habilitados a votar 19.948 eleitores, dos quais 2.758 são paulistas. Os votos serão apurados pelas executivas estaduais e, posteriormente, remetidos ao diretório nacional para a totalização. Os pré-candidatos a presidente são o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e o ex-secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio Anthony Garotinho.