Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Scalco: "Apócrifo".

O ex-diretor-geral de Itaipu durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e também ex-ministro Euclides Scalco desmentiu ontem a reportagem veiculada na revista IstoÉ que circulou neste fim de semana, segundo a qual existiria caixa dois nas contas da empresa binacional com sede no Paraná. Em entrevista à rádio Eldorado e depois em entrevista coletiva na sede da empresa em Curitiba, Euclides Scalco rechaçou a denúncia, que cita um esquema de movimentações financeiras irregulares que teria rendido cerca de US$ 2,5 bilhões.

De acordo com Euclides Scalco, o documento utilizado para fundamentar a reportagem é falso. "Esse documento já foi provado pela Justiça Federal como um documento apócrifo, foi feita uma perícia técnica e a assinatura é falsa", afirmou o ex-ministro e ex-diretor-geral de Itaipu. A denúncia foi baseada nas acusações do ex-funcionário da Itaipu, Laércio Pedroso, que diz ainda que não há fiscalização na empresa, o que teria permitido o desvio das verbas. Segundo Scalco, Itaipu possui um conselho de administração que fiscaliza e controla as contas da empresa, além de uma auditoria interna permanente e uma auditoria externa, contratada anualmente. Para o ex-diretor, a denúncia é "fantasiosa". "Não tem como desviar tanto dinheiro", afirmou.

Scalco ainda ressaltou que o Tribunal de Contas da União só não fiscaliza a Itaipu pela empresa ser fruto de um tratado binacional entre Brasil e Paraguai, o que inviabiliza o controle das contas de um país pelo outro. O ex-diretor da empresa negou também a existência de um documento chamado "nota de débito", que, segundo a denúncia, seria uma nota fiscal sem efeito contábil. Scalco negou ainda a existência de uma conta secreta em nome da Itaipu. "Não há nada de irregular", ressaltou o ex-diretor.

Euclides Scalco afirmou que não dá credibilidade nas denúncias de Laércio Pedroso e além disso, o acusa de ter roubado documentos de Itaipu para convencer fornecedores de que tinha créditos a receber. O atual diretor-geral da empresa, Jorge Samek, enviou nota à rádio Eldorado negando a denúncia de caixa dois na empresa e qualificando Pedroso de "gângster".