Os secretários da Casa Civil, Caíto Quintana (PMDB), e da Habitação, Luiz Cláudio Romanelli, reagiram ontem às acusações feitas pelo ex-secretário de Governo José Cid Campêlo Filho. Quintana afirmou que não entende a ligação que possa existir entre um depoimento que o advogado dava em um processo onde é réu, com a fita que distribuiu e que reflete um momento político e de eleição. “Política se faz com conversações com todos. Mas o importante é que se faça com transparência, de forma clara, sem precisar esconder nada, como foi o que ocorreu”.

“Não há nexo algum entre essas situações. Eu era candidato à reeleição a deputado estadual e estava na minha agenda fazer uma visita a funcionários de bingos. Não quero misturar as coisas. Essa fita é de exclusiva responsabilidade minha e não vejo nada de constrangedor. Não foi gravada escondida. E não tem validade alguma na defesa do José Cid Campêlo Filho”, afirmou Quintana, lembrando que o atual presidente da Cohapar, Luiz Cláudio Romanelli, ajudava-o em sua campanha. A gravação que gerou a polêmica e que foi apresentada pelo ex-secretário ao juiz foi feita durante um evento da última campanha em que Caíto se reuniu com funcionários e dirigentes de bingos.

“Pronunciamentos são feitos para componentes da igrejas Católica, Evangélica, Luterana, Assembléia de Deus e outros segmentos da sociedade. Isso não significa que se está renunciando posições porque está comparecendo em um outro cenário. Política se faz com conversações com todos. Mas o importante é que se faça com transparência, de forma clara, sem precisar esconder nada, como foi o que ocorreu”, disse Quintana, frisando que sabe exatamente as palavras que foram ditas e o contexto e momento em que a gravação foi feita. “Estou traçando esse paralelo para que não se leve a discussão a um caminho errado. Eu era deputado estadual candidato à reeleição, posteriormente me tornei secretário-chefe da Casa Civil. Fiz colocações muito claras e sempre disse que sou contra o jogo. Agora, se tem de existir, que seja dentro de uma casa onde possa ser fiscalizado, proibida a entrada de menores, a venda de bebidas alcóolicas e se tenha vigilância”, afirmou. Segundo ele, no contexto da época os bingos eram perseguidos em detrimento às máquinas de rua que existiam na frente das escolas, de postos de saúde, terminais de ônibus, estações ferroviária e rodoviária.

“Eu defendia que se existisse uma legislação. Mas na seqüência a Lei Pelé perdeu a eficácia e após a eleição fomos conferir, quando governo, que as resoluções concedidas para as casas de bingo funcionarem foram assinadas pelo secretário de Governo da época, sem apoio legal”, disse. Quintana lembrou que houve, então, uma ação do Ministério Público pedindo o fechamento das casas de bingo. “Considerando não existir amparo legal para a permanência e tendo havido uma ação e uma solicitação do Ministério Público, aí sim o Governo de Roberto Requião revogou as portarias do secretário anterior. Revogação a qual ocasionou no fechamento das casas de bingo”.

Ato normal

O presidente da Cohapar, Luiz Cláudio Romanelli, ratificou a posição de Quintana, lembrando que a gravação foi feita de forma transparente e que a reunião com os funcionários de bingo foi um ato de campanha: “Não tenho preocupação alguma em aparecer ao lado de trabalhadores, em campanha se vai a dezenas de locais. Só me preocuparia em aparecer ao lado do José Cid Campêlo Filho”, afirmou, lembrando que o próprio Campêlo é dono de bingo. “Essa fita é a prova da materialidade da ligação dele com o bingo. Ele não quer se explicar e lança essas coisas sobre pessoas honradas como o Caíto Quintana e eu. Ele deveria era explicar esses oito anos de roubalheira que se passaram”, disse. E concluiu que o ato realmente não se comprova como um compromisso de campanha. “Tanto não era que o governador Roberto Requião optou pelo fechamento após os fatos mostrarem que a situação era mais ampla do que imaginávamos. O Ministério Público tem como provar as irregularidades, como a lavagem de dinheiro”.