Foto: José Cruz/Agência Senado

 Heloisa Helena, ao saber do escândalo: "Estou surpresa e chateada com a denúncia".

A presidente do PSOL, senadora Heloisa Heloisa (AL), protocolou ontem, no Conselho de Ética, um requerimento pedindo apuração das denúncias de que seu colega de partido, o senador Geraldo Mesquita (AC), ficaria com 40% dos salários de servidores de seu gabinete, segundo matéria do ?Jornal do Brasil?.

 Segundo reportagem, Mesquita cobraria 40% do salário de cada funcionário. Com isso, ele receberia por mês com o esquema mais de R$ 28 mil. A matéria traz gravações de funcionários do gabinete que comprovariam as irregularidades. A fita com as gravações já foi entregue à senadora. "O senador insiste em dizer que é inocente e que há uma campanha contra ele patrocinada pelo PT", afirmou Heloísa Helena. O próprio senador enviou ao Conselho um ofício colocando-se à disposição e pedindo investigações.

"Tendo em vista matéria atribuindo a mim fatos que não correspondem à verdade, venho me colocar à disposição do Conselho de Ética e pedir que o Conselho promova investigações", diz o ofício de Mesquita, no qual ele afirma ter certeza de que não cometeu ato que possa configurar quebra de decoro parlamentar.

Heloisa Helena disse que ficou surpresa com a denúncia contra o senador Geraldo Mesquita, único senador do partido além dela, e disse que é preciso um esclarecimento de Mesquita no Conselho de Ética, independentemente da decisão do partido sobre o caso. "Estou surpresa e chateada com a denúncia, que precisa ser esclarecida pelo Conselho de Ética, órgão competente para investigar esse tipo de denúncia", afirmou. No plenário, o senador disse estar absolutamente tranqüilo em relação às denúncias, às quais atribui a uma armação de adversários políticos no Estado.

Espontâneas

O senador Geraldo Mesquita (PSOL-AC) afirmou ontem que o repasse dos salários dos servidores de seu gabinete são contribuições espontâneas. O dinheiro, segundo ele, é usado para pagar gastos de gabinete. Cada senador recebe mensalmente, aproximadamente R$ 15 mil de verba indenizatória (para gastos para papel e caneta, por exemplo) e outros cerca de R$ 72 mil para pagar despesas com funcionários, incluindo salários.

O senador também negou que esses pagamentos fossem compulsórios ou que seriam pré-condição para que eles continuassem trabalhando no gabinete. "Eu não vejo irregularidade no fato de que pessoas que estão comigo, militantes, eventualmente nos ajude a fazer face às demandas que são enormes. Isso é coisa espontânea, voluntária, eu acho natural. Eu não me espanto com isso", declarou.