Foto: Clayton de Souza/Agência Estado

Prefeito de São Paulo está diante de um grande dilema: trocar o certo pelo duvidoso.

O prefeito José Serra (PSDB) deve retornar da Argentina, onde descansa, só nesta quarta-feira. Amanhã, ele deve ter um encontro com o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, em São Paulo. Nesse encontro, Tasso espera que Serra lhe dê uma resposta definitiva: se deseja ou não ser candidato a presidente da República. A cúpula do PSDB, incluindo Tasso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas, Aécio Neves, deseja que Serra seja o candidato. Mas o governador Geraldo Alckmin (PSDB) também quer ser candidato e continua resistindo às pressões para desistir da candidatura. Depois de se encontrar com Serra, Tasso também terá um encontro com Alckmin.

O governador paulista tem dito que se Serra anunciar que será candidato, então o PSDB terá dois candidatos. E aí o partido terá que ampliar as consultas às bases, ao Diretório Nacional, para resolver entre um e outro. A disputa de prévias entre os dois está sendo evitada a todo custo. Tasso quer deixar São Paulo nesta quinta-feira com o nome do candidato do partido a presidente definido. O presidente do PSDB espera anunciar o nome do candidato até o próximo dia 15.

Para Serra e o PSDB trata-se de uma decisão crucial. O partido precisa de um candidato bem posicionado nas pesquisas para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está com tendência ascendente nas pesquisas. E José Serra é este candidato. É considerado o único em condições de derrotar Lula e é beneficiado por ter sido o candidato à presidente nas últimas eleições presidenciais.

Mas, ainda assim, as coisas não são fáceis. Serra assinou um documento em 2002 afirmando que não seria candidato em 2006, caso fosse eleito prefeito. E ele foi. Agora Serra, para ser candidato, terá de renunciar ao cargo de prefeito. E se for derrotado perderá quase três anos de mandato e abreviará o fim de sua carreira política. Por isto, José Serra buscou refúgio na Argentina. "As coisas estão caminhando. Ele aproveitou o feriado para descansar e refletir um pouco mais", comentou um tucano próximo a Serra.

Sem compromissos na Prefeitura até hoje, Serra só deverá retomar as atividades na quinta-feira, quando participará da inauguração de duas escolas municipais. Nos últimos dias, segundo fontes próximas ao prefeito paulistano, ele tem demonstrado mais tranqüilidade em relação ao processo de escolha do candidato do PSDB à sucessão presidencial. "Ele tem se mostrado bem menos aflito (com o processo)", afirmou um tucano próximo de seu gabinete. "Ele está propenso a correr o risco (de deixar a Prefeitura) porque trata-se de um risco que vale a pena", observou outro interlocutor.

Outro importante parlamentar ressalta que Serra "já se conscientizou" de que a chance de o PSDB voltar ao planalto depende dele. "As últimas pesquisas deixaram claro que o Serra é o único no PSDB que pode impedir que Lula seja reeleito. O Alckmin (o governador Geraldo Alckmin, outro pré-candidato do partido) não tem a menor condição", comentou esse tucano.

"O Serra não pode deixar a Prefeitura sem que o partido esteja unido em torno de seu nome. Se o partido fizer o movimento em direção a ele, ficará mais fácil justificar a renúncia", observou um colaborador do prefeito. Seja Serra ou Alckmin o adversário de Lula, um acordo de cavalheiros deve marcar o anúncio do candidato. Se o escolhido for Alckmin, caberá a Serra fazer o anúncio e vice-versa.