Em sua passagem ontem pelo Paraná, o candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) respondeu aos comentários do presidente Lula, que alegou que Serra montou uma farsa ao acusar militantes petistas de terem lançado um objeto contra o tucano na última quarta-feira.

Lula comparou Serra ao goleiro chileno Rojas, que durante as eliminatórias da Copa do Mundo, nos anos 1990, fingiu ter sido atingido por um foguete no estádio do Maracanã (RJ). Em sua defesa, Serra afirmou que essa é a maior campanha de mentiras da qual já participou. “Como principal autoridade da República, o presidente está dando cobertura a atos de violência.

O PT não sabe que a luta democrática pressupõe encarar o adversário como adversário e não como inimigo a ser exterminado”, disse Serra ontem em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, onde o tucano teve votação expressiva no primeiro turno das eleições.

Sobre o objeto lançado contra ele, Serra nega que tenha sido simulação e falou que, além do objeto lançado, levou empurrões e raspão de bandeira. “Aqueles que pensam que foi simulação provavelmente estão vendo a situação pela régua deles. Negam até hoje que houve mensalão, negam envolvimento nos escândalos da Casa Civil, negam a espionagem e negam também essa agressão”, criticou.

“É a maior campanha de mentiras que já vi na minha vida. São os profissionais da mentira, os profissionais da violência, com cercos, agressões e intimidação. Atacaram minha família, minha mulher, minha filha, meu genro. Daqui a pouco vão atacar meus netos. Nunca vi tanta baixaria, tantos ataques à família de candidatos”, completou.

Em Ponta Grossa, Serra afirmou que o Paraná é um estado prioritário para ele, onde o eleitor está muito próximo da sua candidatura. Durante seu discurso, no calçadão Coronel Cláudio, na região central da cidade, Serra voltou a atacar o PT.

“Não nos intimidamos. Nós não vamos usar os mesmos métodos. O nosso será um governo sem ódio, que não divida o Brasil”, esbravejou. Para Ponta Grossa, Serra prometeu estudar a possibilidade de integração do anel viário e de melhorar o aeroporto local, que poderia ser uma alternativa ao Aeroporto Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba.

Além disso, Serra prometeu a expansão do ensino técnico-profissionalizante para a região, qualificando a mão-de-obra. Serra participou de carreata e de caminhada pela cidade.

O senador Alvaro Dias (PSDB) e o governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), que acompanharam o presidenciável, comentaram a chegada de Serra ao segundo turno criticando os institutos de pesquisa.

“Serra derrotou as pesquisas manipuladas e o exército de manipulação e mentira”, alfinetou Alvaro. E Beto completou. “No primeiro turno se anunciava uma inundação da onda vermelha, mas essa onda está morrendo na praia”, atacou. Antes de Ponta Grossa, Serra passou por Maringá, onde se reuniu com lideranças locais na Cocamar Cooperativa Agroindustrial. Serra assumiu o compromisso de estudar o sistema cooperativo.