O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse hoje que as eleições ainda não estão decididas e que vai batalhar até o último momento na disputa pelos votos. Após reunir-se com artistas na região da Avenida Paulista, região central de São Paulo, Serra disse que as eleições não são como um campeonato em que os times jogam e não conseguem recuperar-se a partir de determinado momento. “Eleição é uma partida que se trava no dia”, afirmou.

O tucano disse que seu discurso não era o de um candidato já derrotado e que precisa manter o otimismo diante dos eleitores. “Se estivermos mobilizados, nós poderemos ganhar.”

Serra, que já disputou nove eleições ao longo da carreira política, contou ainda que nunca foi tão bem recebido pelos eleitores em todo o País. “Estou na minha nona eleição e nunca tive uma acolhida como agora. Inegavelmente, há um apoio no Brasil profundo muito forte. Vejo pessoas carinhosas e aflitas. Nunca houve nada parecido no olhar, no abraço e nas palavras, e é isso que me dá forças”, afirmou.

“Por todo lado, as pessoas chegam para mim e falam: ‘Escuta, quem vota na Dilma? Porque eu não conheço ninguém’. É claro que é um exagero de linguagem, mas eu vejo isso pelo Brasil inteiro. Não acho que as pesquisas sejam desonestas – pelo menos a maior parte delas é honesta -, mas é um fenômeno”, afirmou o candidato.

Críticas

Durante o evento, do qual participaram artistas como Glória Menezes, Odilon Wagner e Juca de Oliveira, Serra criticou as ações do governo federal na área de cultura. “Querem criar a ‘Ecadbras’ (em referência ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, instituição responsável pelo pagamento de direitos autorais). Isto é estatizar os direitos autorais”, disse.

Serra se referia a um projeto do governo federal que pretende modificar a estrutura da lei de direitos autorais e destinar parte da arrecadação para o governo. Ele disse que o governo não dá prioridade para a cultura e que o orçamento do Estado paulista para a pasta em 2009 superou o do governo federal em R$ 100 milhões. “Nós triplicamos os gastos com cultura”, afirmou.

Serra criticou também as políticas do Ministério da Cultura em relação à Lei Rouanet, que escolhe espetáculos já consagrados, como Cirque Du Soleil, para serem beneficiados. “Eles têm uma prática errada. Gente que tem receita não precisa receber incentivo.” O tucano pediu votos para a classe artística. “Quero pedir o voto de vocês e que vocês multipliquem esse voto.”

Programa nacional

Depois que Serra reclamou do fato de que as peças teatrais circulam pouco pelo Brasil, comparado ao que se vê, por exemplo, no Chile, Glória Menezes se manifestou. “Nunca te vi sentado em nenhum dos teatros em que estive com peças”, disse a atriz, ao reclamar que os custos para rodar o País com uma peça são altos. Serra concordou com os argumentos da atriz e defendeu a criação de um programa nacional para incentivar este objetivo.

Em seguida, o ator Juca de Oliveira saiu em defesa de Serra. “Conheço o Serra há muitos anos, sua integridade, trabalho, competência e coerência política. Quero dizer que sempre vi Serra e Alckmin (Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao governo de São Paulo) na minha plateia em todas as minhas peças”, afirmou.

“Mas na minha plateia nunca vi o Lula e nenhum petista”, completou o ator, sob aplausos dos cerca de 100 artistas que presenciavam o evento. “Tanto é que três colegas nossos são ex-petistas e desistiram do PT porque eles nunca foram ver as peças deles”, disse Juca de Oliveira, referindo-se a Antonio Fagundes, Paulo Betti e Osmar Prado.