O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidato a presidente, afirmou ontem, em Brasília, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa o cargo para reforçar a campanha à reeleição. ?É óbvio que ele está fazendo campanha?, disse, evitando, porém, fazer críticas a esse comportamento. ?Ao mesmo tempo, tem o cargo. A reeleição tem essas coisas também. O sujeito é candidato, mas tem o trabalho administrativo normal do cargo. Mas isso, naturalmente, é faturado do ponto de vista eleitoral, sem dúvida nenhuma?, continuou.

Serra fez o comentário a poucos metros do gabinete de Lula, no Palácio do Planalto, onde se encontrou com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. O presidente estava fora da capital federal, cumprindo um roteiro de visitas a sete cidades de seis estados, numa maratona que durou menos de 48 horas. Antes de o prefeito de São Paulo chegar ao anexo do Planalto, Lula, que é acusado pela oposição de fazer campanha no cargo, afirmara que dará continuidade ao roteiro de viagens e que ?um homem público faz campanha 365 dias por ano?. Serra respondeu: ?Deveria perguntar isso para a opinião pública. O que todo mundo acha.?

Em relação às pesquisas eleitorais, ele disse que, apesar de estar ?mergulhado? no trabalho de prefeito, o resultado tem sido favorável. ?Para mim, é de novo gratificante uma pesquisa como esta (Instituto Datafolha), uma vez que estou bem situado e bem avaliado pela população brasileira no seu conjunto. Apesar de que estou mergulhado no meu trabalho como prefeito de São Paulo e mal apareço no noticiário nacional. De maneira que é uma avaliação muito positiva que me satisfaz bastante?, afirmou.

Serra deixou claro, porém, que isso não significa que será escolhido pelo partido para disputar a sucessão presidencial em outubro. ?Isso não significa que eu vá ser candidato, nem significa que se possa considerar a pesquisa como resultado definitivo. Não é, de maneira nenhuma?, afirmou. Pelo levantamento Datafolha, haveria o segundo turno e o prefeito perderia para Lula. Serra obteve na sondagem 43% e o presidente, 48%. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato a presidente, por sua vez, ficaria abaixo, com 35% e Lula aumentaria a vantagem para 53%.

Apesar da vantagem de Serra sobre Alckmin, parlamentares do grupo do prefeito ficaram preocupados com o resultado da pesquisa. A avaliação geral é a de que Serra não pode correr riscos e perder para Lula. Uma eventual derrota significaria a perda do cargo de prefeito e conseqüências danosas para o futuro político.