O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela postura diante da confusão ocorrida no Rio de Janeiro, quando foi acertado por objetos jogados por cabos eleitorais de Dilma Rousseff (PT) que trocavam empurrões com apoiadores da candidatura tucana. “A meu ver, o presidente da República dando aval a esse tipo de manifestação acaba estimulando que outras se repitam”, reclamou, durante ato político hoje no qual recebeu apoio da senadora eleita Ana Amélia Lemos e do PP do Rio Grande do Sul.

O tucano insistiu ter sido vitima de uma agressão cometida “não por militantes comuns”, mas por agentes de segurança. Também afirmou que o PT tem a “concepção de que adversário é inimigo e precisa ser punido com mentira ou violência, se for preciso”.

Também admitiu que ficou decepcionado com as declarações do presidente que teria se comportado “como simples militante partidário” em vez de se portar de acordo com o cargo que ocupa. “A palavra dele tem outro valor”, afirmou, referindo-se ao peso de uma declaração presidencial. “Quando desqualificou fato real que tinha acontecido, ele se comportou como militante, e um militante daqueles que trata a oposição como inimiga e não como adversária.”

No mesmo tom, Ana Amélia Lemos se manifestou solidária a Serra e criticou Lula por atitude que não considerou adequada à responsabilidade institucional que ele tem como presidente. “Temos que preservar a democracia como patrimônio da sociedade brasileira e esse patrimônio tem que ser guardado pelo guardião de todos nós, que é o presidente.” A senadora eleita também pediu que Lula reconsidere o ato cometido ontem, que qualificou de uma agressão não só ao candidato Serra mas também aos seus milhões de eleitores.

Serra considerou esta campanha a mais dura da história política brasileira, reclamou de todo o dia ver sua biografia revisada “por eles” na televisão. E também atacou os adversários ao afirmar que a candidata (Dilma) “foi aqui no Rio Grande do Sul uma batalhadora pela privatização da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações)”, numa referência a estudos que teriam sido feitos à época do governo Alceu Collares (PDT), antecessor de Antonio Britto (PMDB), que acabaria vendendo a estatal.

Questionado por um repórter sobre uma provocação de Dilma, que disse que ele deveria detalhar melhor suas propostas econômicas, Serra respondeu: “Parece brincadeira. Ela uma hora diz que juro alto é bom, outra hora o juro baixo está (bom). Ela não tem propriamente posições, ela tem o que os marqueteiros instruem. Você pode estar certo que ela não tem nenhuma ideia a respeito. Ela exigir de mim é até engraçado.”

Serra considerou ainda que as pesquisas tem errado “fragorosamente”. “No primeiro turno davam a Dilma como vencedora. Não é que Marina e eu viramos, é que o resultado era fantasioso”, afirmou. “No segundo turno está voltando aquele mesmo esquema de ilusão”, sustentou, para concluir que nesta reta final não está diante de uma questão de “virar” o resultado, mas de “trazer o apoio de mais pessoas de todo o Brasil”.

Cerca de 300 pessoas recepcionaram Serra para o ato de adesão do PP à sua campanha no Hotel Everest, no centro da cidade. Depois, o candidato foi à RBS TV dar uma entrevista de uma hora aos órgãos de comunicação do grupo RBS. À noite, iria a Canoas e Gravataí participar de atos políticos.